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Série Planejamento Estratégico: 5 Forças de Porter

Continuando a nossa série sobre planejamento estratégico, discutiremos mais uma das ferramentas clássicas da administração estratégica: as 5 forças competitivas de Porter.

Na semana anterior discutimos sobre a análise SWOT.

Apesar de sua origem em 1979, a aplicabilidade deste modelo continua reverberando nos dias de hoje.

O criador das 5 forças competitivas, professor Michael Porter, elaborou seus conceitos baseado no seu pensamento de que para se formular qualquer estratégia é essencial relacionar uma organização ao seu ambiente competitivo.

Empreendedores de sucesso entendem a importância de analisarem o ambiente competitivo de sua empresa, porém muitos não sabem como fazer tal atividade. As 5 forças de Porter servem como direcionamento no processo de análise dos elementos ambientais de qualquer tipo de empresa.

Como funciona as 5 Forças de Porter?

O modelo propõe ao gestor compreender cinco contextos (ou as cinco forças), nos quais uma empresa está inserida.

Vale salientar que este instrumento não foca em uma análise macro ambiental (fatores econômicos, tecnológicos, político-legais e sócio demográficos), por outro lado seu campo de análise são os fatores estritamente ligados a concorrência.

Nos próximos parágrafos vamos debater quais são e como as 5 forças de Porter interferem diretamente no seu planejamento estratégico.

1° Força: Rivalidade entre os concorrentes.  

Cada tipo de setor apresenta um comportamento singular quando o assunto é a concorrência entre as empresas.

As empresas do setor de cosméticos não competem iguais companhias do setor farmacêutico. Muitas vezes, até empresas do mesmo setor não competem entre si, simplesmente por não focarem o mesmo público. Exemplificando: a Mercedez-Benz, dificilmente se preocupará com a Volkswagem, ainda que atuem no setor de automóveis, pois seus públicos-alvo são totalmente diferentes.

O exercício, para este momento, seria entender como funciona a rivalidade entre os concorrentes do ambiente competitivo de sua organização.

O professor Porter não enrijece o conceito de concorrência como algo somente negativo.

Para isto, ele estabelece a noção de cluster. O termo diz respeito a empresas que concorrem diretamente ou indiretamente, porém estabelecem vínculos de cooperação para aumentar a sua performance no mercado.

A fim de facilitar o nosso entendimento utilizaremos o exemplo do Vale do Silício. Localizado na Califórnia, Estados Unidos, a região foi desenvolvida para abrigar empresas de base tecnológica. Apple, Google, Facebook, eBay e entre outras são alguns dos exemplos encontrados no Vale.

Apesar da concorrência direta entre algumas dessas empresas, a criação deste Cluster facilitou o desenvolvimento de novas inovações e a criação de novos negócios.

Existem casos de empresas concorrentes que se unem para comprar de um único fornecedor, isto pode ajudar na negociação dos preços e formas de pagamento.

Resumindo, a rivalidade entre os concorrentes não é para ser visto com dualidade. Análise as outras empresas com um olhar crítico. Levante os pontos em comum entre vocês e estabeleça as principais diferenças. Desta forma você saberá como posicionar o seu planejamento estratégico quando o assunto for a concorrência.

2° Força: Produtos e serviços substitutos.

Para facilitar o conceito desta segunda força, responda a seguinte pergunta: Quais são os problemas que seus produtos e serviços solucionam?

Respondeu! Agora pense: existem outras soluções, no mercado, para os mesmos problemas? Possivelmente, você consiga encontrar outros produtos e serviços que ofereçam recursos parecidos com o seu. Pois bem, esses são uma ameaça direta ao seu desempenho no seu mercado de atuação.

Antigamente, as empresas de jogos para games nunca pensariam que um dos seus concorrentes seriam as fabricantes de jogos para smartphones.

Atualmente, os consumidores destes produtos pensam se preferem comprar um celular de última geração ou um console específico para jogar os seus games.

Uma dica é fazer uma lista dos problemas que seus produtos resolvem. Feito este passo, enumere todos os possíveis produtos e serviços que possibilitam a resolução dos mesmos problemas, isto pode te fornecer uma visão geral sobre o seu próprio negócio.

Exemplificando: um proprietário de uma empresa de ônibus, na qual transporta passageiros de uma cidade para outra, não pode achar que os seus únicos concorrentes são as empresas que também possuem ônibus e fazem seu serviço da mesma maneira. Existem outros tipos de empresas com produtos e serviços diferentes que também podem solucionar os mesmos problemas das mesmas pessoas.

Força: Poder de barganha dos fornecedores.

Nesta parte da análise é verificado qual o poder que seu fornecedor tem sobre o seu negócio.

Vamos supor que sua empresa depende de um único fornecedor para repor suas matérias-primas. Logo, este fornecedor tem um grande poder de barganha sobre a sua empresa e, com isso, ele estabelece os preços, as formas de negociar, as condições de pagamento e entre outros fatores.

Caso você esteja inserido neste contexto, é importante pensar em formas reais de prospectar novas fontes de fornecimento. Do contrário, você estará fadado a depender das estratégias de seus fornecedores e não das suas.

Um outro passo importante a ser tomado é estabelecer vínculos reais de parceria com os seus fornecedores.

Recentemente, li uma reportagem sobre a forma como o Pão de Açúcar se relaciona com os seus fornecedores de alimentos orgânicos. A organização fornece aos produtores ajuda de profissionais especializados, nos quais auxiliarão os fornecedores orgânicos com informações sobre plantio, logística e comercialização. Sendo assim, o Pão de Açúcar consegue integrar as atividades dos seus fornecedores com os resultados reais da empresa.

Inclua na estratégia de sua empresa meios de encontrar novos fornecedores ou criar relações de proximidade com os atuais.

4° Força: Ameaça de novos entrantes.

Já ouvi alguns empresários dizerem o famoso dito popular, “o sol nasceu para todos”, ao se referirem a outros empreendedores quando resolvem iniciar um negócio semelhante ao dele.

Porém, para Porter, o gestor deve colocar um guarda-sol bem grande para tampar este sol.

Quanto mais barreiras um empresário colocar diante dos novos entrantes, maior será a sua vantagem no seu mercado de atuação.

Novos empreendimentos trazem novas aptidões, novos recursos estratégicos e propostas de valor totalmente diferentes da sua, sendo assim crie formas de dificultar a entrada destas novas empresas.

Vale destacar que por mais que as barreiras colocadas por você pareçam intransponíveis, uma hora alguém descobrirá como transpor elas.

Por isso, elabore diferentes modos dificultar o acesso de novos entrantes.

Um exemplo de barreira característico da indústria farmacêutica é o registro de patentes para determinados tipos de medicamentos. A empresa detentora do registro consegue por algum tempo uma vantagem significativa no seu mercado de atuação.

5° Força: Poder de barganha dos clientes.

Semelhante ao poder de barganha dos fornecedores, esta parte da análise procura entender a força que seus clientes possuem sobre o seu negócio.

Com o avanço das redes sociais, os consumidores aumentaram seu poder de negociação sobre as empresas. Atualmente, os estrategistas devem possuir um foco maior na forma do seu cliente pensar, sentir e agir.

O ideal ao analisar esta força competitiva é descobrir meios de atender as expectativas dos clientes atuais da melhor maneira possível e explorar novos meios de se conseguir outros potenciais compradores de seus produtos e serviços.

Quanto mais públicos diferentes uma determinada empresa atende, mais força ela tem sobre os seus clientes.

Uma dica valiosa para aumentar o poder de barganha perante os clientes é: entender qual a proposta de valor que sua empresa oferece.

Muitos falham neste ponto.

A proposta de valor diz respeito aos atributos que seus clientes enxergam ao consumir seus produtos e serviços.

Provavelmente você prefira ir em uma pizzaria ao invés da outra, por um motivo “x”. Esse motivo “x” é a proposta de valor daquela pizzaria.

Diante disso, seja claro, direto ao oferecer sua proposta de valor. Descubra quais são os seus diferenciais em relação aos seus concorrentes.

Como integrar as 5 forças de Porter no meu planejamento estratégico?

Esta ferramenta não serve para formular uma estratégia, mas ela ajuda a analisar os requisitos do ambiente competitivo.

Com as descobertas da análise das 5 forças, o planejamento estratégico pode ter um norte sobre como a organização deve se comportar diante de seus concorrentes diretos e indiretos.

As análises cedidas através das 5 forças de Porter são primordiais para o posicionamento estratégico de sua companhia.

Dicas importantes!

O professor Marcelo Nakagawa¹ (Professor e Coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper) oferece algumas dicas importantes diante das 5 forças competitivas de Porter:

  • Atualize sua Análise das 5 Forças de Porter periodicamente;
  • Não subestime os substitutos;
  • Fornecedores devem ser parceiros;
  • Dificulte a chegada de novos concorrentes;
  • Não coloque todos as suas fichas em um único tipo de cliente;
  • Determine o posicionamento competitivo do seu negócio.

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Referências

¹NAKAGWA, Marcelo. Ferramenta: 5 forças de Porter. Disponível em: <http://movimentoempreenda.revistapegn.globo.com/news/2013/12/10-ferramentas-de-estrategia-e-gestao-para-sua-empresa-223.html>. Acesso em: 22 de dez. 2016.

Guilherme Alonço

Guilherme Alonço

Conteudista da Templum Consultoria Ilimitada e apaixonado por assuntos e notícias que englobam o mundo dos negócios. Formado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Unitoledo e Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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