,

Sustentabilidade

A sustentabilidade é tema recorrente no mundo globalizado. Porém, é utilizada para que as empresas e as instituições façam marketing e coloquem seus produtos no mercado de forma mais aceitável. Não há um trabalho mais geral realizado junto à população para que ele se alie a proposta de uma vida sustentável e reforce a ação das empresas. Se é o indivíduo quem gera consumo, há que se fazer com que ele, cidadão, consuma de forma sustentável.
Daí a ideia de cidadania sustentável. Não bastaria somente as empresas, ainda que com olhar específico para o marketing, direcionem sua produção (de produtos ou serviços, inclusive na realização de quaisquer eventos) para o foco na sustentabilidade. São diversas as iniciativas do mundo corporativo e empresarial na atuação sustentável: utilização de energia limpa na produção industrial, redução na produção de lixo, inovação nos processos para que os produtos ocorram com o mínimo de impacto ambiental e que a matéria-prima tenha origem em fontes renováveis e que seus resíduos possam ser reutilizados, reciclagem de produtos, destinação correta dos residuos inaproveitáveis, neutralização de carbono, uso racional da água e de outros recursos minerais, preservação e recuperação de ambientes degrados, etc além das ações das administrações públicas como a construção de estações de tratamento de esgoto e de água, saneamento básico, o que repercute em medidas sanitárias que vão contribuir para a saúde da população.
No âmbito das empresas, todas as ações deixam muito claro que se referem a crescimento do market share e na relação evidente para que as pessoas consumam os produtos das empresas que assim agem. O poder público, por meio dos respectivos ministérios e secretarias estaduais, formata programas e mais programas, sempre como ação política e não com os objetivos de buscar a sustentabilidade.
Tanto o mundo empresarial como o poder público obtém sucesso em alguns projetos e em algumas ações. Porém, falta incluir o cidadão. É o indivíduo quem movimenta tudo isto e que necessita estar senbilizado e conscientizado em relação ao que é sustentabilidade e como pode contribuir para que ela seja um commons na sociedade moderna. Não basta, como afirmam muitos discursos marqueteiros, que a sociedade seja mais justa e mais equilibrada. Ela tem que ser sustentável. Sustentável sob a ótica de que os recursos devem ser utilizados de forma racional, na medida em que sejam necessários, sem impacto excessivo e além do necessário e que as populações futuras possam também deles se utilizar.
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) discutiu, como temas centrais para o futuro da Humanidade, questões econômicas, sociais e políticas na busca de valores capazes de e para redirecionar a interação entre os seres humanos e a relação deles com o planeta. Dois eixos temáticos orientaram as discussoes da Rio+20: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e a estrutura institucional necessária para o desenvolvimento sustentável.
Tundisi (2000:4) afirma que o conceito de desenvolvimento sustentável passa pela entendimento de que a exploração dos recursos naturais se faça de forma que as futuras gerações tenham condições de utilizar os recursos e beneficiar-se de um processo “continuo e equilibrado, no qual a redução das desigualdades econômicas e sociais e a diminuição da pobreza sejam metas fundamentais”.
Acrescenta que passa também pela “preservação e restauração dos ecossistemas naturais, a reciclagem de materiais e o deslocamento das prioridades de um crescimento quantitativo para um crescimento qualitativo tem um papel importante”. (Tundisi, 2000: 4)
Eliezer Batista, ex-ministro de Minas e Energia do Brasil registra que a ideia original de sustentabilidade está ultrapassada. Para ele, o que se deve pensar a respeito de sustentabilidade nos dias de hoje incorpora a cultura, com o efeito de transversabilidade sobre todos os fatores que sustentabilidade envolva. É o que ele define como Gestão Integrada do Território, o que consolida a ideia original de ordenar o “mundo a partir do equilíbrio das vertentes social, econômica e ambiental”. (Batista, 2011: 44).
A gestão é uma verdadeira gestão transdisciplinar da realidade, arquitetada para que se institua uma nova forma de planejar, focada no desenvolvimento sustentável e fundamentada no fortalecimento do capital social. Batista (2011: 45) explica: essa visão pode ser interpretada como “uma medida integrada dos seus elementos constitutivos, inclusive as percepções dos cidadãos”.
Um processo integrado significa envolver não só as grandes corporações ou mesmo as pequenas e médias empresas, além das instituições, sejam elas de pesquisas cientíticas ou de atuação social. Envolve e exige que os cidadãos se integrem a essa ideia de integralidade. Eles não podem ser deixados de lado, pois são os elementos essenciais para que as estratégias de sustentabilidade das corporações se efetivem dentro da ideia de desenvolvimento sustentável. Evidente que o processo passa pela escola e pela educação. Principalmente nas escolas de negócio, como defende Ricardo Voltolini (2012: 58), para quem as escolas de negócio terão que mudar sua maneira de ensinar (aliás, isto é geral para todas as escolas e em todos nos níveis). “Se realmente quiser formar líderes, a escola não poderá apenas depositar conhecimento teórico na cabeça dos alunos ou treinar competências. Precisará, sim, desenvolver novos modelos mentais”. (Voltolini: 58)
E, conclui: “A saída, claro, está em incorporar a sustentabilidade nos programas de educação de gestores” e explica que isto deva ser feito de forma transdisciplinar que englobe as tradicionais disciplinas de macro e microeconomia, planejamento, marketing, estratégia e gestão de pessoas.
Ou seja, um universo que, obrigatoriamente, inclui as pessoas, os indivíduos, os consumidores. Porém, não de forma passiva mas sim integrados e atuantes nesse processo de verdadeira cidadania sustentável, porque envolve, além das coisas materiais, a convivência, o relacionamento, a sociabilidade.
A maneira de fazer isto é criar um processo de educação que envolva empresas e cidadãos de forma a gerar desenvolvimeno sustentável e estabelecer vínculos entre as corporações e os cidadãos para que ocorrra o desenvolvimento sustentável de forma efetiva, planejando-se e desenvolvendo-se critérios para um processo de educação que conduza ao objetivo geral.
Com isto, multiplicar o conhecimento e a conscientização sobre desenvolvimento sustentável, produzir e disseminar conhecimento sobre desenvolvimento sustentável, construir uma cultura social e econômica sobre desenvolvimento sustentável e colaborar para o posicionamento da comunidade a respeito de sustentabilidade.
Tais questões são possíveis, desde que observemos o que Paulo Freire defendeu, ou seja que a “leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Devemos reler a condição atual do conceito de sustentabilidade, do entendimento como o mundo vê atualmente essa questão, ou seja, uma leitura do universo que será envolvido (cidadãos, empresas, instituições, poder público, escolas). Um verdadeiro levantamento do “estado da arte” sobre sustentabilidade existente no país atualmente, para que se tenha a compreensão e a reflexão crítica a respeito do assunto.


Referências

BATISTA, Eliezer. O novo paradigma da sustentabilidade.BIOMA: revista de sustentabilidade, recursos humanos e inovação. Ano 1. Nº 1. Julho/Agosto/Setembro. 2011

LOPES, Juliana. A arte de cultivar valores. IDEIA SUSTENTÁVEL. Edição nº 20. Trimestral. Junho 2010

MATHEUS, Carlos Eduardo; MORAES, America Jacintha de; CAFFAGNI, Carla Wanessa do Amaral. Educação para o Turismo Ambiental: vivências integradas e outras estratégias metodológicas. São Caros: RiMa, 2010

RODRIGUES, Augusto. Rio+20: o novo paradigma da sustentabilidade. BIOMA: Revista de Sustentabilidade, recursos humanos e inovação. Ano 1. Nº 3. Janeiro/Fevereiro/Março 2012

TUNDISI, José Galizia. Bases ecológicas para o desenvolvimento sustentado. In: CASTELLANO, Elisabete Gabriela; CHAUDHRY, Fazal Hussain. editores. Desenvolvimento Sustentado: Problemas e Estratégias. São Carlos: EESC-USP, 2000

VIANA, Gilney; SILVA, Marina; DINIZ, Nilo (org.). O desafio da sustentabilidade. São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2011

VOLTOLINI, Ricardo. Educação de líderes em sustentabilidade. Reflexões breves e ligeiras. IDEIA SUSTENTÁVEL. Edição nº 27 Trimestral. Março 2012

Claudio Luiz de Carvalho

Claudio Luiz de Carvalho

Claudio Luiz de Carvalho, formado em Comunicação Social-Jornalismo, Mestre em Comunicação pelaFaculdade Cásper Líbero, Lead Assessor pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini, MBA em Gestão Estratégica de Empresas pelo Centro Universitário Central Paulista - Unicep, especialista em Gestão e Planejamento de Projetos Sociais pelo Centro Educacional Claretiano.
Claudio Luiz de Carvalho

Últimos posts por Claudio Luiz de Carvalho (exibir todos)

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *