gestão de resíduo
Regina Comar
Por Regina Comar

Sua empresa faz gestão de resíduos do jeito certo?

Este post fala sobre a definição de resíduos de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos – como fazer um bom diagnóstico para implementação do gerenciamento de resíduos abordando classificação, a implementação, operação e monitoramento.


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Você sabe o que é um resíduo? Você sabe o que é um resíduo sólido? Você sabe o que é um gerenciamento de resíduos sólidos? Você sabe o que é gestão de resíduos? Você faz a gestão adequada do resíduo a empresa?

O crescimento econômico e o surgimento de novas tecnologias tem uma relação direta com a geração de resíduos. Quanto maior o desenvolvimento econômico, maior a geração de resíduos, sendo necessário identificar o ponto de equilíbrio para que a sustentabilidade seja estabelecida. Um bom exemplo dessa situação são os smartphones e tablets, que crescem em números exponenciais de produção e descarte.

Hoje quero conversar um pouco sobre esse tema de extrema relevância na atualidade e esclarecer algumas dúvidas que podem ainda estar nebulosas para você e sua empresa.

Neste post, você vai ler sobre:

O que é um resíduo

Resíduo é toda sobra de atividade humana, animal ou produtiva. Ou seja, é tudo que passa por uma transformação e não tem mais utilidade para aquela situação e se torna uma sobra, um resíduo.

Temos vários exemplos de resíduos: as sobras de refeições, embalagens de produtos, esgoto de uma cidade, gases e líquidos gerados em um processo produtivo, lâmpadas, computadores, celulares; esses são só alguns exemplos de uma infinidade de resíduos.

E o resíduo sólido?  

Existem várias definições mas, perante a legislação brasileira, a que tem validade é a definida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que considera resíduos sólidos os materiais, substâncias, objetos ou bens descartáveis no estado sólido ou semi-sólido. Além disso, os líquidos que não podem ser descartados no esgoto devido ao seu grau de perigo e gases que estão em recipientes.

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Líquido e semi-sólido? Como assim? Sim, a política considera resíduos líquidos armazenado em um recipiente como resíduo sólido, já que podemos dar uma destinação como um aterro de resíduo perigoso. Os semi-sólidos são aqueles como os lodos de estação de tratamento de água e esgoto (são casos bem específicos).

Pela mesma lógica os gases que são armazenados num recipiente também são considerados resíduos sólidos. Mas nesse artigo vamos falar sobre como sua empresa gerencia os resíduos sólidos!

Você faz a gestão adequada de resíduos da sua empresa?

Muitas vezes a separação de resíduo dentro da empresa leva os gestores e os próprios colaboradores a acreditarem que isso basta para ter uma gestão de resíduos eficiente na empresa, sem levar em consideração o que ocorre antes e depois da coleta.

O gerenciamento de resíduos é uma forma estruturada de garantir que seus resíduos sejam identificados, quantificados, monitorados para, assim, propor uma solução de melhoria na destinação. Um bom gerenciamento de resíduos sólidos segue as quatro etapas a seguir:

#1 Diagnóstico

Com o diagnóstico, podemos ter noção da situação da sua empresa e entender a realidade que está inserida. E com isso tomar a melhor decisão quanto a forma de gerir e tratar os resíduos sólidos da sua empresa. Nele deve conter:

  • Classificação quanto à origem: um resíduo pode ser classificado quanto à origem doméstica, serviço de saúde, indústria, construção e demolição, poda e capina, especial, radioativos, agrícola ou de portos e aeroportos.
  • Classificação quanto a periculosidade de acordo com a ABNT NBR 10.004:

a) Resíduos classe I – Perigosos:

São classificados de acordo com a inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Alguns exemplos são pilhas, resíduos industriais, lâmpadas de mercúrio e borra ácida;

b) Resíduos classe II – Não perigosos:

São os resíduos que não apresentam perigo à saúde e ao meio ambiente e são passíveis de reciclagem como plástico, papelão e papeis.

c) Resíduos classe II A – Não inertes:

Resíduos Não Inertes: esses resíduos não apresentam periculosidade, porém se solubilizam em contato com água. São praticamente os resíduos provenientes do lixo doméstico e restos de alimentos.

d) Resíduos classe II B – Inertes:

Não tem nenhum dos seus constituintes solubilizados em contato com a água, e em geral são os resíduos de construção civil e metais.

Outros pontos importantes:

  • Identificação das partes interessadas (stakeholders): um gerenciamento de resíduos afeta diversas partes de um negócio, principalmente fornecedores de soluções de destinação. Identificá-los e monitorá-los auxilia a gestão;
  • Acordo setorial: a legislação de resíduos exige acordo setorial para diversos tipos de resíduos. Verifique se os resíduos gerados pela sua empresa já têm acordo setorial e alinhe seu gerenciamento com ele;
  • Tratamento ou disposição: a empresa não é responsável apenas pela gestão de resíduos internamente; ela é responsável até o final da cadeia de resíduos. Ou seja, tem que garantir a destinação adequada e cobrar de seus fornecedores laudos e garantias. Assim, identificar os melhores fornecedores é importante nessa etapa;
  • Análise econômica de destinação: a sustentabilidade considera aspectos econômicos na decisão de destinação, sempre equilibrando a viabilidade econômica com a melhor forma de destinação ambiental;
  • Necessidade de infraestrutura adequada: neste momento, é necessário verificar se haverá necessidade de obras e adequações para armazenamento e coleta. São necessários recipientes adequados e previamente identificados com o tipo de resíduo.
  • Formas de monitoramento: devem ser definidas as formas de monitoramento desses resíduos também, ou seja, quais as métricas que sua empresa vai utilizar para acompanhar a gestão de resíduos sólidos.

#2 Implementação do sistema de gestão de resíduos sólidos

A implementação do sistema de gestão diz respeito principalmente à forma de coleta, armazenamento e destinação. Isso porque é necessário verificar a melhor forma de realizar essas atividades de acordo com a classificação do resíduo. Cada tipo de resíduo possui uma necessidade específica.

Muitas vezes, essa atividade envolve obras de adequação ou construção de lixeiras, coberturas em pátios, impermeabilização de chão, entre outros.

Nessa implementação também ocorre a comunicação e treinamento com os colaboradores, desde a presidência até o chão de fábrica. O engajamento de todos na gestão é crucial para o sucesso da sua empresa. Afinal, não adianta ter todas as condições físicas adequadas, mas pessoas que não acreditam e não executam o gerenciamento de forma correta.

A definição da destinação deve levar em consideração fatores de sustentabilidade, além do financeiro. Existem diversas soluções para destinação, sendo que a PNRS prioriza a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e, por fim, a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

#3 Monitoramento

Com cada um fazendo sua parte dentro do sistema de gestão de resíduos, ele começa a operar. Para garantir que os resultados pretendidos estão sendo obtidos, é necessário fazer o monitoramento.

Os principais indicadores são:

  • Quantidade por tipo de resíduos, sendo geralmente medido em litros, kg ou unidade, por exemplo;
  • Quantidade de resíduo perigoso gerado (L), quantidade de papel coletado (Kg), ou quantidade de unidade de lâmpadas coletadas.

A periodicidade do indicador depende do tamanho da empresa e da quantidade média de resíduo gerado. Um escritório de cinquenta pessoas pode fazer a medida em quilos por mês, enquanto uma grande indústria pode ter um indicador de toneladas por dia.

#4 Melhoria

Um número coletado apenas para dizer que foi coletado não diz nada sobre seu sistema de gestão de resíduos. Agora, um indicador coletado junto com uma análise desse número é a grande ferramenta de melhoria – e o que se espera.

Com isso, é possível analisar se a empresa está tendo uma gestão eficiente e propor melhorias na operação, assim como gradativamente caminhar em direção à não geração de resíduos, de acordo com as prioridades da PNRS.

Uma boa dica para sua empresa é iniciar o gerenciamento de resíduos na área administrativa. Isso inclui plásticos, papeis e resíduos de cozinha. Como esse tipo de resíduo não apresenta perigo à saúde, pode ser mais simples e será um bom exercício para envolver os colaboradores da empresa, devido à proximidade do dia a dia. Faça a identificação adequada e busque fornecedores de destinação que estejam de acordo com a legislação.

Assim, com o entendimento do que é um resíduo sólido e da realidade da sua empresa, é possível identificar que a gestão estruturada dos resíduos sólidos dentro de uma empresa pode trazer benefícios para a comunidade local e, num âmbito maior, de sustentabilidade global.

E você, já faz sua parte para contribuir para uma sociedade mais sustentável?

Regina Comar

Consultora em Templum Consultoria
Graduada em Engenharia Ambiental na UNICAMP, pesquisadora, consultora em Sistema de Gestão Integrado e elaboradora de produto e conteúdo na Templum, unindo comunicação e engenharia para a disseminação de conhecimento e fortalecimento das empresas.
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