Ricardo Tocha
Por Ricardo Tocha

Balanced Scorecard: transformando estratégias em processos

Décadas atrás, num período conhecido como “era industrial”, os gestores baseavam-se apenas em indicadores financeiros e contábeis para monitorar a alocação de capital e determinar o sucesso de seu negócio, já que o paradigma de valor estava diretamente associado aos ativos tangíveis, tais como máquinas e equipamentos.


Contudo, no início dos anos 90, a unidade de pesquisas da KPMG elaborou uma pesquisa sustentada na hipótese de que as abordagens de avaliação da performance, quando baseadas em indicadores financeiros, não expressavam com exatidão a criação de valor futuro das empresas. Já em 1992, Robert Kaplan e David Norton publicaram o artigo “Balanced Scorecard – indicadores que impulsionam o desempenho”.

Este inclui indicadores financeiros, que mostram o resultado das ações do passado, e os complementa com indicadores operacionais, relacionados a satisfação dos clientes, processos internos e a capacidade da organização de aprender e melhorar. Segundo eles, esse conjunto de indicadores proporciona aos gestores uma visão rápida e abrangente de toda a empresa. Desde então, o seu valor passou a ser baseado principalmente nos ativos intangíveis, como valor da marca, capacidade de inovar, disposição para implementar uma estratégia, dentro muitos outros. Quer conhecer um pouco mais sobre o Balanced Scorecard (BSC) e como ele pode ser utilizado para transformar suas estratégias em processos? Acompanhe.

1. Transformando os objetivos em estratégias
Resumidamente, podemos dizer que Kaplan e Norton posicionam o Balanced Scorecard como um conjunto de indicadores balanceados em quatro perspectivas: financeira, clientes, processos internos e aprendizado e inovação). Mas em 1996, eles reposicionaram esse conceito, que passa a ter um objetivo mais complexo: transformar estratégias em processos. A primeira etapa do BSC consiste na elaboração do mapa estratégico, uma arquitetura lógica que representa graficamente a estratégia de uma empresa. Esse mapa evidencia os desafios que ela terá de vencer para concretizar sua visão de futuro, onde são estruturados na forma de objetivos e inter-relacionados por relações de causa e efeito. Assim, é possível identificar os impactos gerados ou recebidos por um determinado objetivo.

Outro elemento importante no mapa é o tema estratégico, que é representado como um conjunto de objetivos com uma finalidade ou um desafio comum. Enquanto as perspectivas fornecem dimensões de análise em termos estruturais, os temas fornecem uma dimensão de análise em termos do negócio, e permitem contar a história da estratégia. A maioria dos mapas também mostra, além de todos estes tópicos, a proposta de valor da organização, representando o seu posicionamento estratégico e o modo como ela irá se apresentar ao mercado. Na prática, é a promessa que a empresa faz aos clientes de entregar uma combinação de atributos de valor unindo fatores como qualidade, preço, desempenho, entre muitos outros.

2. Identificando indicadores de desempenho
Os indicadores de desempenho são aqueles escolhidos pelos gestores para medir o desempenho e o alcance dos objetivos estratégicos. E é a partir deles que a empresa pode verificar se a estratégia escolhida está alcançando os resultados esperados, ou se é necessário fazer alguns ajustes para atingir seus objetivos, metas e visão de futuro. Para o BSC, existem dois tipos de indicadores: um que mede os resultados e outro que mensura os esforços. O primeiro é aquele que calcula o alcance dos objetivos estratégicos de maneira direta, enquanto que o segundo mede os esforços da empresa para conseguir atingir seus objetivos.

3. Traçando metas
Resumidamente, as metas de longo prazo representam a expectativa de desempenho esperada para um determinado indicador. Elas devem ser específicas, mensuráveis e realistas.

4. Elaborando projetos
Após definidos os indicadores e as metas associadas aos diferentes objetivos, estrutura-se os projetos estratégicos, que são ações, iniciativas ou programas de intervenção que ajudarão a organização a atingir os desafios impostos pelas metas. Numa visão geral, os objetivos esclarecem os desafios, os indicadores representam como esses desafios podem ser aferidos e monitorados, e as metas definem o tamanho ou a complexidade desse desafio em um espaço de tempo. Portanto, os projetos estratégicos geram um conjunto de soluções para eliminar o espaço vazio entre o desempenho atual e a expectativa futura de desempenho.

Conclusão
Desde a sua criação, o BSC evoluiu bastante em seu conceito, deixando de ser um painel de indicadores balanceados para se tornar parte integrante do modelo de gestão estratégica. Além de transformar a estratégia em objetivos e processos, ele também auxilia no monitoramento do progresso das metas de longo prazo das empresas, bem como a de sua visão de futuro, garantindo uma gestão extremamente eficaz.

E então, pronto para começar a transformar as estratégias da sua empresa em processos através do Balanced Scorecard? Se você ainda tem alguma dúvida ou gostaria de compartilhar sua experiência conosco, envie um comentário preenchendo os campos abaixo!

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Ricardo Tocha

Ricardo Tocha tem 17 anos de experiência prática e atuou na Templum Consultoria criando conteúdo, desenvolvendo sites e outros apetrechos tecnológicos.
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