Carolina Carvalho
Por Carolina Carvalho

Indicadores ambientais: Seu quebra cabeça para a sustentabilidade

Trabalhando com auditoria, consultoria e implantação de sistemas de gestão, muitas vezes me defronto com empresas desperdiçando recursos com a gestão de indicadores, ou por serem pré-históricos, ou por terem sido definidos de forma errônea. Então me pergunto: por que estão gastando tempo com estes dados se eles não agregam valor algum?


O Conceito

Os japoneses, no pós guerra, definiram os indicadores como um “item de gerenciamento”, portanto devem estar atrelados ao esforço gerencial e à estratégia das organizações. Do contrário não faz sentido ter um indicador. Segundo Deming (1990), “Não se gerencia o que não se mede”.

O indicador serve para conhecer as lacunas dos seus processos, e ao seguir o conceito de melhoria contínua, aplicando o PDCA (Plan – Do – Check – Act), avaliar se as metas estabelecidas estão sendo atingidas, padronizando em caso de sucesso, ou tomando ação corretiva em caso de fracasso.

Indicadores X Norma ISO 14001:2015

Na introdução da Norma ISO 14001:2015 é esclarecida a abordagem do sistema de gestão ambiental, fundamentada no conceito PDCA. Sendo assim, as organizações precisam definir objetivos diante das suas estratégias, mensurar seus processos, avaliar se as metas estão sendo atingidas, e, caso necessário, tomar ações.

Especificamente no item 6.2 (Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los) a norma apresenta a necessidade de definição de indicadores, quando informa que os objetivos ambientais devem ser:

  • coerentes com a política ambiental;
  • mensuráveis (se aplicável);
  • monitorados;
  • comunicados;
  • atualizados.

Indicadores Ambientais

Seguindo o conceito de que um indicador deve estar atrelado à estratégia da empresa, é necessário avaliar processos significativos que de alguma forma foram diagnosticados ou como um risco, ou como uma oportunidade.

A identificação desses processos, pela norma ISO 14001:2015, ocorre no item 6 (Planejamento), que abrange tanto a avaliação dos riscos e oportunidades, dos aspectos ambientais, como também dos requisitos legais e outros.

Ou seja, os indicadores ambientais precisam focar os processos e aspectos significativos da organização.

Portanto, não adianta gastar tempo e recursos coletando dados de consumo de água se seu processo mal utiliza este recurso natural. Foque no que é importante para sua empresa!

Dicas para definição de indicadores

  1. Um indicador deve medir características de um produto/serviço fim de um processo;
  2. Um indicador deve ter um dono e refletir fatores controláveis;
  3. Um indicador deve sempre ser uma regra, isto é, ser bom tanto quando aumenta, quanto quando diminui;
  4. Deve existir uma hierarquia de indicadores: os líderes devem ter indicadores sobre os fins, e sua equipe indicadores sobre os meios do processo;
  5. Não se deve ter muitos indicadores: indicadores refletem as prioridades da empresa, atreladas às suas estratégias.

Estas dicas são provenientes da experiência em gestão do Professor Vicente Falconi, sendo aplicáveis tanto para indicadores ambientais, como para indicadores da qualidade, de saúde e de segurança, etc.

No entanto, quando focamos na gestão ambiental, isto significa olhar para seus aspectos ambientais significativos, para as legislações ambientais, para as suas partes interessadas que podem ser desde a sua vizinhança, seus colaboradores, até os órgãos ambientais.

O quebra cabeça para a Sustentabilidade

Definidos os indicadores, estes não podem virar gráficos ilustrativos da sala do gerente. Fora isto, como coloca Vicente Falconi: “Não basta olhar para o indicador, ficar alegre quando o resultado é bom, e em caso contrário triste”.

Indicadores precisam ser compreendidos e vividos por todos dentro da organização, por este motivo que há a hierarquia de indicadores, para que de forma assertiva os colaboradores compreendam o que estão medindo, porquê, como, e, por fim, saibam agir em caso de desvios.

Segundo Vera Martins, em seu livro Seja Assertivo, para que se obtenha o sucesso em resultados, a equipe precisa, neste caso, receber a comunicação sobre os indicadores com empatia e envolvimento, porque, assim, compreenderão o significado dos mesmos e se sentirão engajados, podendo, através da argumentação, criar possibilidades construtivas.

Ao tratarmos de sustentabilidade, não significa apenas começar, mas sim manter e melhorar continuamente, ou seja, não adianta ter um indicador cuja meta já foi alcançada se existem outros processos a serem melhorados, como também não agrega valor ter milhares de indicadores, pois nunca se saberá qual é a prioridade e onde se pode melhorar.

Seguindo o método definido por John Kotter (Leading Change) – Short-Term Wins, os indicadores devem focar em ganhos de curto prazo, para manter a motivação dos colaboradores e a contínua melhoria, que implica em processos de mudança.

Portanto, defina indicadores significativos para os processos, engaje seus colaboradores de forma a se sentirem parte do processo, tome ações quando necessário, e comemore. Estas são peças-chave do seu quebra-cabeça, que, se encaixadas corretamente, auxiliarão na sustentabilidade do seu negócio.

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Carolina Carvalho

Carolina Carvalho

Sou formada em Engenharia de Alimentos e Pós Graduada em Gestão e Controle da Qualidade. Auditora Líder ISO 9001:2008 e ISO 9001:2015, Auditora Líder ISO 14001:2004 e ISO 14001:2015, Auditora Interna OHSAS 18001:2007. Especialista em Black Belt Lean 6 Sigma, com experiência em implementação de projetos de melhoria contínua e TPM. Possuo mais de 12 anos de experiência nas áreas de Sistema de Gestão Integrada, Auditorias de Sistema de Gestão e Melhoria Contínua. Atualmente sou consultora de implementação e manutenção dos sistemas de gestão em diversas áreas, e auditora nas áreas de gestão da qualidade e meio ambiente.
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