Carolina Carvalho
Por Carolina Carvalho

Gestão de Resíduos: Não deixe seus lucros irem para o lixo

As empresas, sejam elas privadas ou públicas, buscam sempre a lucratividade! Entretanto, em alguns momentos, vêm seu dinheiro escorrerem direto para o ralo devido aos percalços que surgem. No texto de hoje, vamos conversar sobre gestão de resíduos, um tema importante para quem não quer perder dinheiro com gastos desnecessários.


Para começar é muito válido conceituarmos o que são resíduos:

rejeitos de processos derivados das atividades humana e animal, e de processos produtivos como a matéria orgânica, o lixo doméstico, os efluentes industriais e os gases liberados em processos industriais ou por motores.

Portanto, podemos classificá-los como domésticos e industriais.

Conforme define a NR 25 – Resíduos Industriais (Norma Regulamentadora do MTE – Ministério do Trabalho e Emprego), resíduos industriais são aqueles provenientes dos processos industriais, na forma sólida, líquida ou gasosa ou combinação dessas. Por suas características físicas, químicas ou microbiológicas não se assemelham aos resíduos domésticos.

Ou seja, quando abordamos gestão de resíduos, não estamos apenas falando de resíduos sólidos.

Gestão de Resíduos X Coleta Seletiva

Ao falarmos de Gestão de Resíduos precisamos ter o cuidado de diferenciar este processo do da Coleta Seletiva.

O processo de gestão de resíduos é muito mais amplo. No geral, engloba a coleta seletiva, que consiste na separação dos resíduos considerando-se a similaridade das suas características. Na coleta seletiva normalmente utiliza-se uma identificação por cores, definida mundialmente.

gestão de residuos x coleta seletiva

A gestão de resíduos, no entanto, envolve o mapeamento dos processos de uma empresa, a análise dos rejeitos gerados por cada processo, como também a classificação e quantificação dos mesmos, o armazenamento e identificação, e então a destinação.

Gestão de resíduos e a pegada ambiental

Focando a pegada ambiental das empresas, a grande preocupação está no que diz respeito à destinação dos resíduos. Dependendo da forma como são descartados no meio ambiente, podem ocasionar graves impactos ambientais, como a contaminação do solo, água e ar.

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Neste sentido a implantação do Sistema de Gestão Ambiental, através da Norma ISO 14001:2015, pode contribuir com as organizações. Tudo isto devido aos passos de identificação dos aspectos e impactos ambientais do negócio, onde boa parte está relacionada aos resíduos.

O que você ganha com a gestão de resíduos?

Primeiramente o ganho é ambiental! Ou seja, é possível reduzir as agressões ao meio ambiente, realizando as destinações adequadas.

Em segundo lugar, a empresa conseguirá atender a Lei 12.305, também conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010, evitando qualquer tipo de autuação, infração ou multas.

Juntamente a estes dois ganhos, a organização poderá reduzir custos com a destinação de resíduos, e até mesmo lucrar, seja através da venda ou troca de um resíduo, que neste caso passa a ser chamado de subproduto.

Redução de custos

Você sabia que parte dos seus resíduos são matérias primas do seu processo, ou até mesmo produtos não conformes???

Pois bem, pensar em gestão de resíduos requer a mentalidade de melhoria de processos, algo presente na ISO 14001:2015.

Para isto é importante seguirmos a Hierarquia de Gestão de Resíduos:

gestão de residuos -hierarquia

Exemplos de aplicação na prática:

  • NÃO GERAR: implementando processos padronizados e com manutenções dos equipamentos, é possível evitar a geração de produtos não conformes, que muitas vezes precisam ser descartados, como também vazamentos, que acabam gerando resíduos provenientes da sua limpeza;
  • REDUZIR: através da conscientização dos colaboradores, estes podem cuidar melhor dos seus EPIs. Com isso, evitamos a redução da vida útil, não sendo necessário o descarte constante deste material, considerado um resíduo perigoso, cujo custo de destinação é elevado;
  • REUTILIZAR: muitos processos industriais necessitam de água para o seu funcionamento, a qual, muitas vezes, acaba descartada como efluente industrial, após tratamento. Através de estudos de processos é possível reutilizar este recurso natural, possibilitando a redução deste recurso;
  • RECICLAR: desde resíduos sólidos não perigosos como perigosos podem ser destinados para a reciclagem. O envio de materiais orgânicos para a compostagem e produção de adubo são alguns dos exemplos clássicos. O interessante é que nestes casos, o resíduo passa a ser um subproduto, e muitas vezes, por ter valor agregado para outra empresa, esta pode receber esses materiais sem custo.

Normalmente processos de tratamento e destinação para aterros sanitários implicarão em custos para a organização. Por este motivo, investir nas opções anteriores é vantajoso, pois é possível reduzir os custos com este tipo de gestão.

Lucrar com resíduos

Atualmente precisamos “pensar fora da caixa”! Nestas reflexões conseguimos encontrar soluções para lucrar com aquilo que nos dão gastos: os resíduos.

Muitos dos resíduos de processos industriais podem tornar-se matéria prima de outros processos e/ou outras empresas.

Com alguns anos de estrada, pude trabalhar, auditar e visitar empresas que utilizaram destas ideias e melhorias para lucrar com o que antes era descartado, então, compartilho algumas:

Exemplos de aplicação na prática:

  • GASES DE PROCESSO: em algumas indústrias químicas ocorre a geração de gases inerentes às reações químicas, que seriam enviados para a atmosfera. No caso do nitrogênio, que antes era resíduo passou a ser aplicado como combustível da caldeira. Isto proporciona economia com a compra de combustível, como também a sua comercialização para indústrias vizinhas, e, em alguns casos pode ser aplicado como matéria prima para a indústria de gases;
  • RESÍDUOS ELETRÔNICOS: com a atual revolução tecnológica, constantemente as empresas trocam computadores, notebooks, impressoras, dentre outros equipamentos. A grande pergunta é: o que fazer com todo este lixo eletrônico??? E a resposta é: Vender. Existem várias empresas no mercado que buscam este tipo de material, desta forma as organizações geradoras podem sair lucrando;
  • LODO DE TRATAMENTO DE EFLUENTE: o lodo proveniente do tratamento de efluentes, em muitas ocasiões, é descartado em aterros sanitários. Devido a composição deste material, normalmente com alta carga orgânica e concentração de microrganismos, é possível que seja utilizado como matéria prima na produção de adubo. Portanto, muitas empresas desse ramo podem receber este resíduo através de doação ou pagando um valor simbólico.

Da mesma forma que sua empresa gera um resíduo e procura um destino, outras precisam de matéria prima e buscam por um resíduo. Pensando nesta cadeia, que empresas online foram criadas com a finalidade de compra e venda de resíduos.

Dica: Aposte no valor dos seus resíduos e dê um destino mais digno para ele. Procure sites de compra e venda de resíduos.

Potencial à vista

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre) as organizações do Brasil geram 2,9 milhões de toneladas de resíduos perigosos por ano, porém apenas 22% é tratado corretamente.

O setor de tratamento de resíduos industriais brasileiro tem potencial para gerar R$ 1 bilhão por ano. No entanto, atualmente, o setor gera aproximadamente cerca de R$ 240 milhões/ano.

O mercado Europeu de gestão de resíduos movimenta € 159 bilhões/ano, gerando 2 milhões de empregos. Isto só aponta para o enorme potencial de desenvolvimento.

A ideia é sempre conscientizar as empresas sobre a importância da Gestão Ambiental e da Gestão de Resíduos com foco na sustentabilidade… E é aí que entra a importância da Norma ISO 14001:2015. Invista nesta gestão!!!

Carolina Carvalho

Carolina Carvalho

Sou formada em Engenharia de Alimentos e Pós Graduada em Gestão e Controle da Qualidade. Auditora Líder ISO 9001:2008 e ISO 9001:2015, Auditora Líder ISO 14001:2004 e ISO 14001:2015, Auditora Interna OHSAS 18001:2007. Especialista em Black Belt Lean 6 Sigma, com experiência em implementação de projetos de melhoria contínua e TPM. Possuo mais de 12 anos de experiência nas áreas de Sistema de Gestão Integrada, Auditorias de Sistema de Gestão e Melhoria Contínua. Atualmente sou consultora de implementação e manutenção dos sistemas de gestão em diversas áreas, e auditora nas áreas de gestão da qualidade e meio ambiente.
Carolina Carvalho