Nova versão do FSSC 22000 v4 – Alterações Relevantes para sua Empresa

Com base na experiência obtida com a versão 3 e um trabalho de pesquisa com as partes interessadas, o FSSC lançou em Dezembro de 2016 a nova versão para o seu Sistema Internacional de Certificação de Sistemas de Gestão da Segurança dos Alimentos. Foram aplicadas mudanças importantes para melhorar a sua consistência e a severidade.

Algumas das principais alterações com impactos para as empresas foram:

– inclusão de novas categorias de certificação

– revisão de critérios de auditoria não anunciada

– inclusão da classificação de não-conformidades críticas

– revisão e inclusão de requisitos adicionais

Composição – FSSC 22000 Versão 4

A norma possui requisitos de componentes separados, porém que devem ser auditados como um único sistema. Sua composição consiste em:

FSSC 22000 = ISO 22000 + PPR Específico por Setor * + Requisitos Adicionais

*De acordo com o descrito na tabela de categorias

Quando o módulo FSSC – Q for requerido, os requisitos da ISO 9001 são aplicável junto aos demais componentes expostos acima para o FSSC22000.

Requisitos Adicionais Versão 4

Os requisitos adicionais aplicáveis às categorias de certificação são:

1 – Gestão de Serviços

2 – Supervisão de Pessoal

3 – Gestão de Materiais Fornecidos

4 – Gestão de Recursos Naturais (aplicado apenas para produção animal)

5 – Defesa dos Alimentos

6 – Prevenção de Fraude dos Alimentos

7 – Formulação de Produtos (apenas para alimentos para cães e gatos)

8 – Gestão de Alergênicos

9 – Rotulagem do Produto

10 – Monitoramento Ambiental

11 – Uso da marca

A partir de Janeiro/2018 todas as empresas já devem ser auditadas de acordo com a Versão 4. O novo esquema pode ser obtido de forma gratuita no site do FSSC 22000, onde também poderá encontrar mais informações e esclarecimentos sobre os itens aqui abordados, bem como quais as regras para as empresas já certificadas realizarem a transição da norma.

Categorias Versão 4

Dentro da revisão houve maior detalhamento das categorias já existentes, estando de acordo com a ISO 22003:2013, e foram incluídas algumas categorias antes não cobertas pelo escopo de certificação do FSSC 22000, conforme a Tabela a seguir:

Categoria Sub-categoria Descrição ISO 22000/ISO 9001 PRP Requisitos Adicionais
A AI Agricultura de animais para carne/ leite/ ovos/ mel Aplicável ISO/TS 22002-3 Aplicável
AII Agricultura de peixes e frutos do mar Aplicável ISO/TS 22002-3 Aplicável
C CI Processamento de produtos animais perecíveis Aplicável ISO/TS 22002- 1 Aplicável
CII Processamento de produtos vegetais perecíveis Aplicável ISO/TS 22002- 1 Aplicável
CIII Processamento de produtos animais e vegetais perecíveis (produtos mistos) Aplicável ISO/TS 22002- 1 Aplicável
CIV Processamento de produtos estáveis a temperatura ambiente Aplicável ISO/TS 22002- 1 Aplicável
D DI Produção de alimentos para animais Aplicável PAS 222 Aplicável
ISO/TS 22002-6 Aplicável
DII Produção de alimentos para outros animais de estimação Aplicável PAS 222 Aplicável
ISO/TS 22002-6 Aplicável
DII Produção de alimentos para cães e gatos. Aplicável ISO/TS 22002- 1 Aplicável
E  Novo Catering Aplicável ISO/TS 22002-2 Aplicável
FI Novo Retail Aplicável PAS 221 Aplicável
G Novo GI Prestação de Serviços de Transporte e Armazenagem de Alimentos Perecíveis e Alimentos para Animais Aplicável NTA 8059 Aplicável
GII Prestação de Serviços de Transporte e Armazenagem de Alimentos em Temperatura Ambiente e Alimentos para Animais Aplicável NTA 8059 Aplicável
I Produção de embalagens para alimentos e material de embalagem Aplicável ISO/TS 22002-4 Aplicável
K Produção de (bio)químicos Aplicável ISO/TS 22002-1 Aplicável

Fonte:  FSSC 22000, Part II – Requirements for Certification.

Auditorias Não Anunciadas

Nesta versão é obrigatória a participação da empresa no programa de auditorias não anunciadas. Este programa prevê que pelo menos uma auditoria durante o ciclo deva ser não anunciada, sendo que, o programa não pode ser aplicado às auditorias de primeira e segunda fase, bem como as de recertificação. De qualquer forma, a empresa também pode se candidatar voluntariamente à substituição de todas as auditorias anuais de acompanhamento por não anunciadas.  (Fonte: FSSC 22000, Part IV – Requirements for CBs)

Classificação das NC

Uma das novidades foi a inclusão das Não Conformidades Críticas. Essas serão emitidas quando a segurança dos alimentos for impactada diretamente durante a auditoria ou se a integridade do processo de certificação foi colocado em causa. Dentro do Anexo 3 – part 4 dos documentos do FSSC2200, estão descritas as ações que serão aplicadas mediante esta ocorrência, tais como:

– Quando uma Não Conformidade Crítica for aplicada a um local certificado, este certificado deverá ser suspenso imediatamente por um período de até 6 (seis) meses;

– Uma auditoria de follow up deverá ser conduzida pelo Organismo de Certificação dentro do prazo de 6 (seis) meses para verificar o fechamento da Não Conformidade Crítica;

– O certificado deverá ser retirado quando a Não Conformidade Crítica não for resolvida de forma eficaz dentro do prazo de 6 (meses);

– No caso de uma auditoria de certificação, a auditoria completa deve ser repetida.

Para maiores informações em relação aos requisitos e esquema de certificação da norma FSSC 22000v4, consulte o site do FSSC: clique aqui.

Segurança dos alimentos: não basta ser gostoso, deve ter qualidade.

Foi-se o tempo em que as empresas se atinham somente ao sabor do alimento quando iam a um restaurante, supermercado, açougue ou qualquer empresa responsável pelo segmento de alimentação.

Nos tempos atuais, o consumidor aumentou significativamente sua preocupação com os alimentos consumidos por ele mesmo.

Um dos motivos das pessoas se aterem tanto ao assunto de segurança alimentar emerge dos escândalos mundiais envolvendo o tema. Um exemplo catastrófico, que chocou o mundo no ano de 2008, foi a comercialização de leite em pó com altos índices de melamina – produto químico usado na indústria do plástico e na fabricação de cola ou resina – para alimentação de bebês na China. Na época, registraram-se danos à saúde de aproximadamente 53.000 crianças causados pelo consumo do leite.

Obviamente, a preocupação com a segurança dos alimentos, a fim de evitar desastres desta natureza, é fundamental, porém há outros motivos para se afligir com a qualidade dos alimentos.

Os empresários do setor alimentício devem sempre estar atentos ao aumento da qualidade tanto de seu produto final, como de todo o seu processo produtivo.

Mas, enfim, o que realmente significa a expressão “qualidade em produtos e serviços alimentícios”?

A expressão em questão está associada a quatro critérios fundamentais: i) aspectos dos alimentos, diz respeito à sua composição nutricional; ii) segurança, ou seja, condições sanitárias e higiênicas; iii) serviço, isto está relacionado à conexão entre cliente e fornecedor; iv) preço¹.

Oferecer um produto ou serviço alimentar de qualidade envolve alguns desafios. Como o gestor de um negócio pode superá-los? Através de boas práticas de gestão! E, para isto, existe a ISO 22000.

Em poucas palavras, essa norma auxilia os gestores do ramo de alimentos, independentemente do tipo de empresa, a oferecer produtos e serviços alimentícios de qualidade. Isto se da através de requisitos, como monitoramento da produção e o conceito de rastreabilidade, este último, significando o controle de “tudo que entra e sai da empresa”, podendo ser matéria-prima da produção, bem como o produto acabado e entregue ao consumidor final¹.

Para finalizar, vejamos o relato da implementação da ISO 22000 em um estudo de caso realizado em uma empresa romena de produtos lácteos². Com a efetivação da ISO 22000, o autor da pesquisa relata alguns benefícios ocorridos na companhia, dentre eles:

  • O reconhecimento oficial da capacidade da empresa de produzir, distribuir e vender alimentos seguros para os consumidores;
  • Qualificação como produtora de mercadorias lácteas;
  • Garantir o cumprimento da legislação fiscalizadora;
  • Melhoria na imagem perante o mercado;
  • Ganhos competitivos face aos concorrentes;
  • Maior motivação da equipe de trabalho;
  • Aumento da confiança dos consumidores nos produtos.

A implementação da certificação ISO 22000 é capaz de levar a empresa do ramo alimentício a outro patamar, uma vez que a competitividade entre as companhias e a abertura de novos mercados devido à globalização exigem dos gestores novas atitudes e ações para manter a instituição gerando retornos necessários.

Referências:

¹ SANTOS, Laura Lyra et al. Food service compliance with ISO 14001 and ISO 22000. Revista de Nutrição, v. 25, n. 3, p. 373-380, 2012.

² NEACSU, Nicoleta Andreea. Implementation of ISO 22000-a tool to increase business efficiency and customer satisfaction. A Case Study: SC Prodlacta Brasov. Bulletin of the Transilvania University of Brasov. Economic Sciences. Series V, v. 8, n. 2, p. 105, 2015.

Benefícios da implementação da FSSC 22000

A implementação da FSSC 22000 traz benefícios para o negócio de sua empresa, como:

  • Comunicação mais organizada e objetiva entre  colaboradores, fornecedores, clientes e consumidores;
  • Otimização de recursos e processos;
  • Melhoria no  planejamento e aumento de produtividade;
  • Redução de riscos do negócio;
  • Aumento de confiança de suas marcas;
  • Confiabilidade entre os elos da cadeia produtiva de alimentos.

Podemos  citar também os benefícios para o produto, bem como,  melhoria da gestão das boas práticas de fabricação, identificação dos perigos  e definição de medidas de controle,  redução de perdas e foco em resultados finais.

Diante do cenário atual, as empresas são obrigadas  a entrar em uma competição desenfreada  sob pressão de preços baixos e clientes/ consumidores  exigentes.

A FSSC lhe permite através do conjunto de requisitos, implementar e padronizar sistemas de gestão de segurança de alimentos  e produzir alimentos seguros.

Para que a empresa tenha os benefícios citados acima  e se torne competitiva, é necessário  que atenda aos requisitos da ISO 22000:2005, ISO TS 22002 – 4 ( indústria de embalagens ) ou ISO TS 22002 – 1 ( Industria de alimentos)  mais os requisitos Adicionais da FSSC.

O sistema de gestão de segurança de alimentos reduz falhas impulsionadoras de custos, lhe permite  também disponibilizar produtos  e serviços seguros  atendendo as expectativas de seus clientes e consumidores, por isso, é importante que sua empresa reflita sobre a possibilidade de implementação e certificação da FSSC 22000.

(In)Segurança Alimentar: O Caso Habib´s

Nesta última quarta-feira, 10 de setembro de 2014, o restaurante da rede de fast-food Habib’s da Avenida Norte-Sul, em Campinas (SP), foi interditado pela Vigilância Sanitária. Segundo a assessoria de imprensa do órgão da saúde municipal, o estabelecimento foi fechado devido à venda de produtos fora do prazo de validade, condições de higiene precárias e manipulação inadequada de alimentos.

Entenda por que essa interdição ocorreu.

A produção e comercialização de alimento seguro, livre de contaminação e adequado para consumo é exigida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão responsável pela proteção da saúde no nosso país.

Diante desse fato, vamos refletir sobre os aspectos básicos para segurança dos alimentos que são determinados na legislação sanitária:

Controle de validade de produtos

Os estabelecimentos devem verificar o prazo de validade dos alimentos desde a compra/recebimento do produto até a entrega para o consumidor. Isso demanda uma análise minuciosa na compra e/ou recebimento de produtos, selecionando aqueles que se encontram dentro do prazo de validade e rejeitando aqueles com prazo vencido. O controle, organização e rotatividade de estoque de produtos também devem ser considerados, para que sejam utilizados primeiramente os produtos com prazo de validade mais próximo e para que sejam identificados e descartados os produtos com prazo vencido, evitando a sua utilização por engano. Os produtos prontos para consumo também devem ter o seu prazo de validade monitorado

Condições de higiene

Os estabelecimentos devem garantir condições adequadas de higiene de suas instalações, equipamento, móveis e utensílios, por meio de um programa de higienização do ambiente, estabelecendo a periodicidade de higienização, técnicas e produtos utilizados e determinando os responsáveis por cada atividade. Além disso, deve ser feito o controle de pragas, do lixo/resíduos e da potabilidade da água utilizada no estabelecimento. Tudo isso para garantir que as condições do ambiente não tragam risco de contaminação ao alimento.

Manipulação de alimentos

As pessoas que manipulam alimentos devem ter boas condições de saúde e higiene. Os estabelecimentos são responsáveis por supervisionar e capacitar periodicamente seus funcionários em higiene pessoal, manipulação higiênica dos alimentos e em doenças transmitidas por alimentos. As atitudes das pessoas que manipulam os alimentos são determinantes na produção e distribuição de alimentos seguros.

O cumprimento desses aspectos da legislação sanitária poderia ter evitado que o restaurante fosse interditado. Segundo a Vigilância, o local permanecerá fechado até que sejam feitas todas as adequações, até porque seria inviável realizá-las com o restaurante em funcionamento. O gerente foi preso em flagrante e o restaurante ainda corre risco de ser multado.
Esse fato serve de alerta para que todos os estabelecimentos de alimentos. Garantir a segurança dos alimentos fornecidos aos consumidores representa não apenas um diferencial no mercado, mas também um cumprimento de uma obrigatoriedade legal.

Fonte: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2014/09/restaurante-fast-food-e-interditado-pela-vigilancia-sanitaria-em-campinas.html.

ISO 22000 para buffets: é possível sim!

Ter uma gestão focada na segurança dos alimentos tem grande importância em qualquer setor da cadeia alimentícia – os buffets estão incluídos. Apesar de parecer complicado, uma vez que depende da infraestrutura dos locais que os clientes oferecem, as boas práticas cabem em qualquer lugar e garantem a satisfação do cliente!

Assegurar a qualidade e segurança dos alimentos é um diferencial, afinal, os consumidores se preocupam com o que estão ingerindo e cobram esses cuidados. E esta preocupação se estende para eventos como festas de aniversários, casamentos e recepções.

Os processos em buffets não são como em uma indústria, que tem ferramentas que facilitam a padronização dos mesmos, porém, quaisquer setores de alimentação tem plenas condições de implementar a ISO 22000.

A ISO 22000 garante à empresa de buffet:

  • Mais clareza nos processos de aquisição, conservação, manipulação e transporte dos alimentos;
  • Planejamento de eventos quanto à segurança dos alimentos servidos;
  • Diferenciação de cardápios para as pessoas com restrições alimentares;
  • Definição de regras de Boa Conduta de Pessoal, tendo em consideração a atividade da empresa, função e locais de trabalho dos colaboradores.

A implementação da ISO 22000 é um desafio, porém, os benefícios se sobressaem às dificuldades, levando sua empresa ao sucesso.

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Chocolate artesanal: Qualidade para vender mais

As fabricantes e micro empresas de chocolates artesanais intensificam, nesta época de Páscoa, as produções de ovos, trufas e outros produtos de chocolate. Garantir a qualidade do produto é uma ótima ferramenta de marketing e aumento de vendas – e as Boas Práticas de Fabricação (BPF), exigidas pela legislação, dão essa garantia.

A nutricionista e consultora de BPF, Planejamento Estratégico e norma ISO 9001 na Templum Consultoria, Natália Mafra, conta quais são as exigências e cuidados para obter e manter as BPFs.

Quem não pratica BPF não garante a qualidade

As BPFs garante a qualidade em todas as etapas de produção do alimento. Quem não cumpre não garante a qualidade do produto, e oferece risco à saúde do consumidor e à imagem da empresa.

Quem não cumpre pode ser interditado

Os produtores de alimentos, como os ovos de Páscoa, recebem periodicamente (geralmente uma vez ao ano) a fiscalização da Anvisa. Caso seja verificado o não cumprimento de algo da legislação, o estabelecimento é notificado. Se as irregularidades não forem sanadas, dependendo do caso, o estabelecimento pode ter o prazo de adequação estendido ou ser interditado, com multa.

Higiene pessoal e do ambiente são essenciais

As BPFs determinam que o manipulador do alimento deve estar com vestimenta adequada, devendo usar sapatos fechados, roupas claras, touca ou rede para cobrir os cabelos. O uniforme deve ser trocado todos os dias. O uso de adornos não é permitido.

Higiene pessoal é fundamental. As mãos devem ser lavadas várias vezes durante o trabalho. Esmalte e alianças devem ser evitados, barba e bigode não são permitidos. Outro rigor é que o manipulador deve fazer exames de check-up periódicos.

Um fator importante da produção também é o cuidado com os utensílios e a bancada de trabalho, que devem estar devidamente higienizados.

A água usada para higienização e limpeza dos utensílios e das mãos, deve ser potável e a caixa d’agua deve ser limpa no mínimo semestralmente. Se a água for usada como ingrediente, há mais rigor na qualidade da mesma.

Temperatura adequada ao produto

As matérias-primas devem ter qualidade e serem de fornecedores confiáveis. A limpeza e a temperatura dos veículos são ótimos indicadores de qualidade. Aproveite o momento da entrega para avaliar seus fornecedores.

Ao armazenar alimentos perecíveis é primordial controlar a temperatura. Verifique o funcionamento dos motores de refrigeração e a vedação das portas dos freezers e geladeiras. Além de manter a qualidade dos produtos você economizará energia elétrica.

Os alimentos que precisam ficar em locais secos, devem ser ventilados e ter sua validade controlada. Cuidado com a embalagem do alimento, que deve ser totalmente fechada para proteger o alimento contra contaminação.

Controle de pragas a todo o momento

O controle de pragas é muito importante. Controle o acesso, abrigo e proliferação de pragas a todo momento. Mantenha os ralos fechados, as portas bem fechadas e com proteção o rodapé dela, retire o lixo constantemente e dedetize o ambiente com frequência.

Quem revende também deve se preocupar

As Boas Práticas de Fabricação também devem ser cumpridas por quem comercializa, pois parte da legislação é aplicável ao revendedor.

Ganhos com as BPFs

Garantia e confiança: As boas práticas na fabricação e comercialização de chocolates artesanais e ovos de Páscoa vão garantir a confiabilidade e a qualidade do produto, livre de contaminação;

Desperdício evitado: Do ponto de vista econômico, ela evita o desperdício, pois irá comprar matéria-prima confiável e ter controle de validade dos produtos em estoque;

Boa imagem da empresa: A empresa que não passa confiança em seu produto é muito ruim, pois se o consumidor tem uma intoxicação alimentar por comer aquele alimento, ele vai deixar de adquirir o produto e ainda vai espalhar a outras pessoas que poderiam ser consumidoras; além do mais, o marketing negativo espalha e muitas vezes o fabricante ou fornecedor nem sabe;

Marketing: Quem tem Boas Práticas de Fabricação pode usar isso no marketing para se destacar no mercado.

A importância da BPF e o caso DIA

Nesta quinta-feira (22) foram interditadas 12 lojas franqueadas da Rede de Supermercados DIA na região metropolitana de São Paulo e na capital paulista. A Polícia Ambiental do Estado encontrou alimentos vencidos e em condição inadequada de armazenamento em depósito de fornecedor das unidades.

O espaço não tinha licença de funcionamento, porém era utilizado como panificadora para a produção de pães, bolos, doces e tortas e distribuía para outros supermercados da rede.

Além disso, a área também servia como depósito de produtos com o prazo de validade vencido. Estes produtos eram retirados das embalagens originais e colocados em sacos plásticos para serem reutilizadas na confecção dos produtos da panificadora.

No local foram encontrados farinha e açúcar em sacos plásticos sem identificação e pães franceses vencidos armazenados de forma inadequada – no chão ou em caixas de papelão. Nas câmaras frias, produtos dentro do prazo de validade misturados com restos de alimentos estragados, como frios, laticínios e carnes em processo de deterioração. Em uma embalagem de carne, a etiqueta indicava como data de validade 21 de janeiro de 2013.

A mortadela estava vencida havia um mês. Já a ricota estava há um mês e meio fora do prazo recomendado para consumo. Havia lixo estocado próximo às câmaras frias, fezes de ratos nas prateleiras do estoque e veneno próximo aos alimentos. O ambiente também estava em condições precárias de higiene.

A Vigilância Sanitária condenou todos os produtos e determinou o seu descarte. O artigo 7º da Lei 8.137 caracteriza crime a comercialização e depósito de matérias-primas ou mercadorias em condições impróprias para consumo. Em caso de condenação, a pena varia de dois a cinco anos, ou multa.

Diante do ocorrido, podemos destacar diversas inadequações aos requisitos estabelecidos na Legislação Sanitária:

  • O funcionamento do local sem a permissão da autoridade sanitária (Alvará de Funcionamento);
  • Precárias condições de higiene do ambiente;
  • Armazenamento de alimentos sem os devidos cuidados higiênico-sanitários (no chão; caixa de papelão etc.);
  • O estoque e uso indevido de produtos fora do prazo de validade e/ou sem identificação;
  • A ausência de medidas de controle de vetores e pragas urbanas e uso indevido de produtos químicos (veneno);
  • Contaminação cruzada pelo armazenamento de matérias-primas vencidas junto às demais e pelo uso indevido de veneno de rato;
  • O manejo de resíduos (lixo) de forma indevida;
  • Manipulação de alimentos sem os devidos cuidados de higiene.

A adoção das Boas Práticas de Fabricação (BPF) é mais do que uma exigência legal. É uma questão de saúde pública! Diversos consumidores foram colocados em risco ao adquirirem os alimentos produzidos neste local.

A Rede de Supermercados DIA abalou sua imagem e confiabilidade diante dos consumidores.

Em resumo, essa tragédia pode ocorrer em qualquer estabelecimento que não utiliza as boas práticas na fabricação e comercialização de seus alimentos.

Além da garantia de qualidade e produção de alimento seguro, as BPFs proporcionam benefícios como: redução de custos, aumento da produtividade, satisfação e fidelização dos clientes e maior competitividade no mercado!

O que é o HACCP (Hazard Analysis and Control Point System)?

O HACCP nos últimos anos tornou-se um assunto constante entre as indústrias de alimentos. Por quê? Quais os benefícios que esta metodologia nos traz?

A exigência de empresas nacionais e internacionais de um produto seguro do ponto de vista alimentar faz com que a procura das empresas pela metodologia torne-se algo importante, diferencial e competitivo.

Para os que têm a curiosidade e necessidade de conhecer a metodologia, digo que a metodologia HACCP é a mais completa para garantir a segurança dos alimentos.

Um dos pré-requisitos do HACCP é o GMP (Good Manufacturing and Pratice), o ponto inicial para se implementar o HACCP. Não adianta querer implementar HACCP se sua empresa não possui os requisitos básicos como boas práticas de fabricação, boas práticas de higiene e boas práticas de armazenagem. Por isso,  o GMP deve ser consistente, bem implementado.

Voltando a metodologia HACCP em si, ela consiste em 7 etapas:

  • Conduzir uma análise dos perigos;
  • Determinar os pontos críticos de controle;
  • Estabelecer limites críticos;
  • Estabelecer um sistema para monitorar o controle dos pontos críticos;
  • Estabelecer ações corretivas;
  • Estabelecer procedimentos de verificação e funcionamento eficaz;
  • Estabelecer documentação.

Todas as etapas acima irão impactar sua empresa de modo a mudar a abordagem do produto final para um pensar preventivo, promover aspectos da cadeia produtiva desde a matéria-prima até o consumo do produto final e aumentar a confiança do cliente e oportunidades comerciais.

Você se atenta à qualidade do alimento que consome?

Por várias vezes nesse espaço tivemos discussões e textos voltados para a qualidade das empresas, da construção civil e referente à saúde dos funcionários, entre outros. Neste momento, porém, gostaria de voltar a nossa reflexão para os alimentos consumidos.

Será que damos a devida atenção à qualidade dos alimentos que consumimos? Quantas vezes verificamos se uma empresa, seja uma indústria alimentícia ou um serviço de alimentação, possui toda a documentação e está de acordo com requisitos mínimos de segurança alimentar?

A ANVISA, órgão regulador que estabelece os requisitos para funcionamento desse tipo de estabelecimento, possui um documento normativo (RDC 216 ou RDC 275) que estabelece que essas empresas precisam possuir um ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO que indica o atendimento aos requisitos mínimos de segurança e higiene no preparo e fornecimento de alimentos. Esses requisitos estão indicados no MANUAL DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO (BPF) que deve ser implementado por todas as empresas desse setor.

A partir da implementação desses requisitos e após a vistoria da ANVISA, a empresa receberá o alvará de funcionamento, que DEVERÁ ficar fixado em local visível na empresa.

Então nós, enquanto consumidores, temos o dever de fiscalizar essas empresas e procurar por esse documento para garantir que estamos nos alimentando em locais que possuem boas práticas sanitárias e de segurança com seus funcionários.

E as empresas que ainda não possuem esse requisito implementado, devem procurar se adequar o mais rápido possível, uma vez que com os grandes eventos que acontecerão no Brasil nos próximos anos, o foco para esse assunto está cada vez maior.

Podemos ver casos de várias empresas que passaram por problemas recentes com autuações e até com o lacramento dos estabelecimentos por não estarem de acordo com essa regulamentação (veja alguns exemplos no final deste post). Para fechar ainda mais o cerco, a ANVISA abriu recentemente 100 novas vagas para agentes de saúde que atuarão nesse cenário.

Então, o que estamos esperando? Vamos em busca da qualidade em todos os aspectos da nossa vida!

Correio Popular – Prefeitura realiza vistorias em bufês infantis de Campinas.

Nova série do Jornal da Record – Blitz da Comida

Fiscais encontram irregularidades absurdas em restaurantes

Restaurantes funcionam sem alvará em cidade de Minas Gerais

Carne vendida em SP é armazenada em péssimas condições

Introdução às boas práticas de fabricação (BPF)

No mercado de produtos perecíveis, a qualidade não é uma vantagem competitiva, mas sim um requisito fundamental. Em alguns casos é até mesmo requisito mandatório legal para poder comercializar.

Existem diversas formas de se atingir um alto padrão de qualidade e uma das formas mais adotadas é a chamada Boas Práticas de Fabricação – BPF. É composta por princípios e regras para o correto manuseio dos produtos, considerando desde as matérias-primas até o produto final. Seu objetivo maior é garantir a integridade do produto e a saúde do consumidor.

As normas que regem as Boas Práticas de Fabricação vão desde as instalações industriais, passando por regras de higiene pessoal e limpeza e conservação do local de trabalho, até a descrição, por escrito, dos procedimentos envolvidos no processamento do produto.

A descrição dos procedimentos de BPF para todos os envolvidos no processamento do produto prega que a direção, a gerência e a liderança devam estar envolvidas para o êxito do programa.  Para o planejamento, a organização e a motivação de todos, o sistema depende da liderança.
Importante: As Boas Práticas de Fabricação são obrigatórias pela legislação brasileira para todas as indústrias de alimentos. Além disso, as portarias 326/97 e 368/97 do Ministério da Saúde estabelecem o “Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores de Alimentos”.