Segurança de alimentos: Quais são as novidades sobre as Auditorias?

Dentre os esquemas de certificação aprovados pelo GFSI, um item em comum que tem ganhado destaque são as auditorias não anunciadas, sendo essas conduzidas sem prévia notificação da data ao cliente.

Este sistema de auditoria oferece às empresas uma oportunidade para demonstrar que o seu sistema e procedimentos são mantidos de forma adequada, aumentando a credibilidade dos clientes no sistema implementado.

Alguns dos esquemas de certificação aprovados pelo GFSI para o processamento de alimentos possuem a opção de auditoria não anunciada, conforme exemplos descritos a seguir:

British Retail Consortium – BRC

O esquema de certificação BRC possui duas opções para o módulo voluntário de auditorias não anunciadas:

Opção 1 – Auditoria não anunciada verificação completa

Esta opção envolve uma única auditoria sem aviso prévio contra todos os requisitos da Norma. A data da auditoria não deve ser notificada antes da auditoria. A auditoria será feita sem aviso prévio e substituirá a auditoria programada. Embora a auditoria possa ocorrer em qualquer fase entre os meses 3 e 12 da data de vencimento da auditoria, esta deverá normalmente ocorrer nos últimos 4 meses do ciclo de certificação.

Opção 2 – Auditoria não anunciada de duas partes

Para esta opção 2 são divididos os requisitos de auditoria em duas auditorias separadas. A primeira auditoria avalia predominantemente as questões consideradas como boas práticas de fabricação baseadas em fábrica e é realizada como uma auditoria sem aviso prévio. A segunda auditoria baseia-se predominantemente na revisão da documentação e dos registros e pode ser planejada para garantir que o pessoal de gestão adequado esteja disponível para obter e discutir os registos. A auditoria planejada da parte 2 permite que esta parte da auditoria seja combinada com outras auditorias de certificação.

A empresa pode informar dias em que não esteja disponível para uma auditoria, sendo que a opção 1 permite a identificação de 15 dias, enquanto para a opção 2 são 10 dias, sendo estes devidamente justificados. O organismo de certificação pode contestar o motivo quando tal não parecer adequado. Dias em que a fábrica não está operando (por exemplo, fins de semana, feriados, paradas planejadas para feriados ou manutenção) não estão incluídos nesses dias que serão apontados como não disponível para auditoria. Qualquer desses dias de não produção deve ser notificado ao organismo de certificação.

International Featured Standards – IFS

No esquema de certificação IFS também há o módulo voluntário de auditorias não anunciadas, sendo esta envolve uma auditoria completa sem prévio aviso. Esta opção destina-se de preferência a auditorias de renovação (isto é, para empresas já certificadas pela IFS Food), mas também a organização pode candidatar-se nas auditorias de certificação, se preferir começar diretamente com uma auditoria não anunciada.

Ao se registrar para uma auditoria não anunciada com seu OC, a empresa tem a oportunidade de identificar no máximo 10 dias períodos quando o local não estiver disponível para auditoria.

Essas datas devem ser notificadas ao OC ao mesmo tempo que a empresa se registra para a auditoria não anunciada, juntamente com os motivos. As razões podem ser contestadas pelo organismo de certificação ou pelo auditor durante a auditoria.

Nota: a empresa só pode dividir os 10 dias operacionais em um máximo de 3 períodos (por exemplo, visita planejada do cliente, férias do gerente da Qualidade, etc).

Food Safety System Certification – FSSC

Já no esquema de certificação FSSC uma auditoria não anunciada faz parte do ciclo de certificação de 3 anos, sendo a participação da organização obrigatória.

O programa deve garantir que, para cada organização certificada, seja realizada pelo menos uma auditoria não anunciada após a auditoria de certificação inicial e dentro de cada período de três anos subsequente. Fica a cargo do OC decidir qual das auditorias de manutenção que será a não anunciada.

A organização certificada pode voluntariamente optar por substituir todas as auditorias de acompanhamento por auditorias anuais não anunciadas.

Nem a auditoria inicial de certificação (fase 1 e fase 2) nem a auditoria de recertificação podem ser substituídas por uma auditoria não anunciada.

Os dias em que a empresa não estará disponível para auditoria podem ser acordados antecipadamente entre o OC e a organização certificada para evitar períodos de extrema inconveniência durante os quais o cliente teria dificuldade em participar plenamente e /ou não haver produção.

Não conformidades e ações corretivas

As não conformidades e ações corretivas são as mesmas apresentadas nos esquemas de auditoria anunciada

Para a opção 2 no caso BRC vale ressaltar que as evidências das ações tomadas para corrigir as não conformidades identificadas na auditoria da parte 1 devem ser apresentadas ao organismo de certificação dentro de 28 dias da auditoria da parte 1 e estará sujeita a uma revisão na parte 2 da auditoria. Se uma não conformidade crítica e/ou o número e o nível de não conformidades identificados na auditoria da parte 1 resultar em não obter um certificado, o certificado existente para o local será imediatamente retirado.

Duração auditoria não anunciada

É de extrema relevância o fornecimento de informação suficiente ao organismo de certificação para permitir a seleção de auditor com as qualificações de categoria corretas e para permitir tempo suficiente para a auditoria. As regras aplicadas para o cálculo da duração da auditoria não anunciada devem ser de acordo com o estabelecido nos esquemas de cada norma para as auditorias anunciadas.

Emissão do certificado

Para as normas BRC e IFS Food existem as regras para descrição e identificação no certificado emitido, de forma a ficar clara a participação da organização no programa de auditoria não anunciada.

Para maiores detalhes sobre as especificidades aplicadas às auditorias não anunciadas de cada esquema de certificação, acesse:

IFS: https://www.ifs-certification.com/images/standards/ifs_food6/documents/IFS_Food_unannounced_audit.pdf

BRC: https://www.brcglobalstandards.com/brc-global-standards/food-safety/help-and-guidance/

FSSC: http://www.fssc22000.com/documents/pdf/certification-scheme/part-4-requirements-for-cbs-january-2017.pdf

Segurança dos alimentos: não basta ser gostoso, deve ter qualidade.

Foi-se o tempo em que as empresas se atinham somente ao sabor do alimento quando iam a um restaurante, supermercado, açougue ou qualquer empresa responsável pelo segmento de alimentação.

Nos tempos atuais, o consumidor aumentou significativamente sua preocupação com os alimentos consumidos por ele mesmo.

Um dos motivos das pessoas se aterem tanto ao assunto de segurança alimentar emerge dos escândalos mundiais envolvendo o tema. Um exemplo catastrófico, que chocou o mundo no ano de 2008, foi a comercialização de leite em pó com altos índices de melamina – produto químico usado na indústria do plástico e na fabricação de cola ou resina – para alimentação de bebês na China. Na época, registraram-se danos à saúde de aproximadamente 53.000 crianças causados pelo consumo do leite.

Obviamente, a preocupação com a segurança dos alimentos, a fim de evitar desastres desta natureza, é fundamental, porém há outros motivos para se afligir com a qualidade dos alimentos.

Os empresários do setor alimentício devem sempre estar atentos ao aumento da qualidade tanto de seu produto final, como de todo o seu processo produtivo.

Mas, enfim, o que realmente significa a expressão “qualidade em produtos e serviços alimentícios”?

A expressão em questão está associada a quatro critérios fundamentais: i) aspectos dos alimentos, diz respeito à sua composição nutricional; ii) segurança, ou seja, condições sanitárias e higiênicas; iii) serviço, isto está relacionado à conexão entre cliente e fornecedor; iv) preço¹.

Oferecer um produto ou serviço alimentar de qualidade envolve alguns desafios. Como o gestor de um negócio pode superá-los? Através de boas práticas de gestão! E, para isto, existe a ISO 22000.

Em poucas palavras, essa norma auxilia os gestores do ramo de alimentos, independentemente do tipo de empresa, a oferecer produtos e serviços alimentícios de qualidade. Isto se da através de requisitos, como monitoramento da produção e o conceito de rastreabilidade, este último, significando o controle de “tudo que entra e sai da empresa”, podendo ser matéria-prima da produção, bem como o produto acabado e entregue ao consumidor final¹.

Para finalizar, vejamos o relato da implementação da ISO 22000 em um estudo de caso realizado em uma empresa romena de produtos lácteos². Com a efetivação da ISO 22000, o autor da pesquisa relata alguns benefícios ocorridos na companhia, dentre eles:

  • O reconhecimento oficial da capacidade da empresa de produzir, distribuir e vender alimentos seguros para os consumidores;
  • Qualificação como produtora de mercadorias lácteas;
  • Garantir o cumprimento da legislação fiscalizadora;
  • Melhoria na imagem perante o mercado;
  • Ganhos competitivos face aos concorrentes;
  • Maior motivação da equipe de trabalho;
  • Aumento da confiança dos consumidores nos produtos.

A implementação da certificação ISO 22000 é capaz de levar a empresa do ramo alimentício a outro patamar, uma vez que a competitividade entre as companhias e a abertura de novos mercados devido à globalização exigem dos gestores novas atitudes e ações para manter a instituição gerando retornos necessários.

Referências:

¹ SANTOS, Laura Lyra et al. Food service compliance with ISO 14001 and ISO 22000. Revista de Nutrição, v. 25, n. 3, p. 373-380, 2012.

² NEACSU, Nicoleta Andreea. Implementation of ISO 22000-a tool to increase business efficiency and customer satisfaction. A Case Study: SC Prodlacta Brasov. Bulletin of the Transilvania University of Brasov. Economic Sciences. Series V, v. 8, n. 2, p. 105, 2015.

Benefícios da implementação da FSSC 22000

A implementação da FSSC 22000 traz benefícios para o negócio de sua empresa, como:

  • Comunicação mais organizada e objetiva entre  colaboradores, fornecedores, clientes e consumidores;
  • Otimização de recursos e processos;
  • Melhoria no  planejamento e aumento de produtividade;
  • Redução de riscos do negócio;
  • Aumento de confiança de suas marcas;
  • Confiabilidade entre os elos da cadeia produtiva de alimentos.

Podemos  citar também os benefícios para o produto, bem como,  melhoria da gestão das boas práticas de fabricação, identificação dos perigos  e definição de medidas de controle,  redução de perdas e foco em resultados finais.

Diante do cenário atual, as empresas são obrigadas  a entrar em uma competição desenfreada  sob pressão de preços baixos e clientes/ consumidores  exigentes.

A FSSC lhe permite através do conjunto de requisitos, implementar e padronizar sistemas de gestão de segurança de alimentos  e produzir alimentos seguros.

Para que a empresa tenha os benefícios citados acima  e se torne competitiva, é necessário  que atenda aos requisitos da ISO 22000:2005, ISO TS 22002 – 4 ( indústria de embalagens ) ou ISO TS 22002 – 1 ( Industria de alimentos)  mais os requisitos Adicionais da FSSC.

O sistema de gestão de segurança de alimentos reduz falhas impulsionadoras de custos, lhe permite  também disponibilizar produtos  e serviços seguros  atendendo as expectativas de seus clientes e consumidores, por isso, é importante que sua empresa reflita sobre a possibilidade de implementação e certificação da FSSC 22000.

(In)Segurança Alimentar: O Caso Habib´s

Nesta última quarta-feira, 10 de setembro de 2014, o restaurante da rede de fast-food Habib’s da Avenida Norte-Sul, em Campinas (SP), foi interditado pela Vigilância Sanitária. Segundo a assessoria de imprensa do órgão da saúde municipal, o estabelecimento foi fechado devido à venda de produtos fora do prazo de validade, condições de higiene precárias e manipulação inadequada de alimentos.

Entenda por que essa interdição ocorreu.

A produção e comercialização de alimento seguro, livre de contaminação e adequado para consumo é exigida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão responsável pela proteção da saúde no nosso país.

Diante desse fato, vamos refletir sobre os aspectos básicos para segurança dos alimentos que são determinados na legislação sanitária:

Controle de validade de produtos

Os estabelecimentos devem verificar o prazo de validade dos alimentos desde a compra/recebimento do produto até a entrega para o consumidor. Isso demanda uma análise minuciosa na compra e/ou recebimento de produtos, selecionando aqueles que se encontram dentro do prazo de validade e rejeitando aqueles com prazo vencido. O controle, organização e rotatividade de estoque de produtos também devem ser considerados, para que sejam utilizados primeiramente os produtos com prazo de validade mais próximo e para que sejam identificados e descartados os produtos com prazo vencido, evitando a sua utilização por engano. Os produtos prontos para consumo também devem ter o seu prazo de validade monitorado

Condições de higiene

Os estabelecimentos devem garantir condições adequadas de higiene de suas instalações, equipamento, móveis e utensílios, por meio de um programa de higienização do ambiente, estabelecendo a periodicidade de higienização, técnicas e produtos utilizados e determinando os responsáveis por cada atividade. Além disso, deve ser feito o controle de pragas, do lixo/resíduos e da potabilidade da água utilizada no estabelecimento. Tudo isso para garantir que as condições do ambiente não tragam risco de contaminação ao alimento.

Manipulação de alimentos

As pessoas que manipulam alimentos devem ter boas condições de saúde e higiene. Os estabelecimentos são responsáveis por supervisionar e capacitar periodicamente seus funcionários em higiene pessoal, manipulação higiênica dos alimentos e em doenças transmitidas por alimentos. As atitudes das pessoas que manipulam os alimentos são determinantes na produção e distribuição de alimentos seguros.

O cumprimento desses aspectos da legislação sanitária poderia ter evitado que o restaurante fosse interditado. Segundo a Vigilância, o local permanecerá fechado até que sejam feitas todas as adequações, até porque seria inviável realizá-las com o restaurante em funcionamento. O gerente foi preso em flagrante e o restaurante ainda corre risco de ser multado.
Esse fato serve de alerta para que todos os estabelecimentos de alimentos. Garantir a segurança dos alimentos fornecidos aos consumidores representa não apenas um diferencial no mercado, mas também um cumprimento de uma obrigatoriedade legal.

Fonte: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2014/09/restaurante-fast-food-e-interditado-pela-vigilancia-sanitaria-em-campinas.html.

ISO 22000 para buffets: é possível sim!

Ter uma gestão focada na segurança dos alimentos tem grande importância em qualquer setor da cadeia alimentícia – os buffets estão incluídos. Apesar de parecer complicado, uma vez que depende da infraestrutura dos locais que os clientes oferecem, as boas práticas cabem em qualquer lugar e garantem a satisfação do cliente!

Assegurar a qualidade e segurança dos alimentos é um diferencial, afinal, os consumidores se preocupam com o que estão ingerindo e cobram esses cuidados. E esta preocupação se estende para eventos como festas de aniversários, casamentos e recepções.

Os processos em buffets não são como em uma indústria, que tem ferramentas que facilitam a padronização dos mesmos, porém, quaisquer setores de alimentação tem plenas condições de implementar a ISO 22000.

A ISO 22000 garante à empresa de buffet:

  • Mais clareza nos processos de aquisição, conservação, manipulação e transporte dos alimentos;
  • Planejamento de eventos quanto à segurança dos alimentos servidos;
  • Diferenciação de cardápios para as pessoas com restrições alimentares;
  • Definição de regras de Boa Conduta de Pessoal, tendo em consideração a atividade da empresa, função e locais de trabalho dos colaboradores.

A implementação da ISO 22000 é um desafio, porém, os benefícios se sobressaem às dificuldades, levando sua empresa ao sucesso.

Confira os conceitos e aplicações da ISO 22000 no curso online gratuito da Templum  clicando aqui. É só preencher o formulário e assistir agora mesmo ou quando quiser.

Chocolate artesanal: Qualidade para vender mais

As fabricantes e micro empresas de chocolates artesanais intensificam, nesta época de Páscoa, as produções de ovos, trufas e outros produtos de chocolate. Garantir a qualidade do produto é uma ótima ferramenta de marketing e aumento de vendas – e as Boas Práticas de Fabricação (BPF), exigidas pela legislação, dão essa garantia.

A nutricionista e consultora de BPF, Planejamento Estratégico e norma ISO 9001 na Templum Consultoria, Natália Mafra, conta quais são as exigências e cuidados para obter e manter as BPFs.

Quem não pratica BPF não garante a qualidade

As BPFs garante a qualidade em todas as etapas de produção do alimento. Quem não cumpre não garante a qualidade do produto, e oferece risco à saúde do consumidor e à imagem da empresa.

Quem não cumpre pode ser interditado

Os produtores de alimentos, como os ovos de Páscoa, recebem periodicamente (geralmente uma vez ao ano) a fiscalização da Anvisa. Caso seja verificado o não cumprimento de algo da legislação, o estabelecimento é notificado. Se as irregularidades não forem sanadas, dependendo do caso, o estabelecimento pode ter o prazo de adequação estendido ou ser interditado, com multa.

Higiene pessoal e do ambiente são essenciais

As BPFs determinam que o manipulador do alimento deve estar com vestimenta adequada, devendo usar sapatos fechados, roupas claras, touca ou rede para cobrir os cabelos. O uniforme deve ser trocado todos os dias. O uso de adornos não é permitido.

Higiene pessoal é fundamental. As mãos devem ser lavadas várias vezes durante o trabalho. Esmalte e alianças devem ser evitados, barba e bigode não são permitidos. Outro rigor é que o manipulador deve fazer exames de check-up periódicos.

Um fator importante da produção também é o cuidado com os utensílios e a bancada de trabalho, que devem estar devidamente higienizados.

A água usada para higienização e limpeza dos utensílios e das mãos, deve ser potável e a caixa d’agua deve ser limpa no mínimo semestralmente. Se a água for usada como ingrediente, há mais rigor na qualidade da mesma.

Temperatura adequada ao produto

As matérias-primas devem ter qualidade e serem de fornecedores confiáveis. A limpeza e a temperatura dos veículos são ótimos indicadores de qualidade. Aproveite o momento da entrega para avaliar seus fornecedores.

Ao armazenar alimentos perecíveis é primordial controlar a temperatura. Verifique o funcionamento dos motores de refrigeração e a vedação das portas dos freezers e geladeiras. Além de manter a qualidade dos produtos você economizará energia elétrica.

Os alimentos que precisam ficar em locais secos, devem ser ventilados e ter sua validade controlada. Cuidado com a embalagem do alimento, que deve ser totalmente fechada para proteger o alimento contra contaminação.

Controle de pragas a todo o momento

O controle de pragas é muito importante. Controle o acesso, abrigo e proliferação de pragas a todo momento. Mantenha os ralos fechados, as portas bem fechadas e com proteção o rodapé dela, retire o lixo constantemente e dedetize o ambiente com frequência.

Quem revende também deve se preocupar

As Boas Práticas de Fabricação também devem ser cumpridas por quem comercializa, pois parte da legislação é aplicável ao revendedor.

Ganhos com as BPFs

Garantia e confiança: As boas práticas na fabricação e comercialização de chocolates artesanais e ovos de Páscoa vão garantir a confiabilidade e a qualidade do produto, livre de contaminação;

Desperdício evitado: Do ponto de vista econômico, ela evita o desperdício, pois irá comprar matéria-prima confiável e ter controle de validade dos produtos em estoque;

Boa imagem da empresa: A empresa que não passa confiança em seu produto é muito ruim, pois se o consumidor tem uma intoxicação alimentar por comer aquele alimento, ele vai deixar de adquirir o produto e ainda vai espalhar a outras pessoas que poderiam ser consumidoras; além do mais, o marketing negativo espalha e muitas vezes o fabricante ou fornecedor nem sabe;

Marketing: Quem tem Boas Práticas de Fabricação pode usar isso no marketing para se destacar no mercado.

A importância da BPF e o caso DIA

Nesta quinta-feira (22) foram interditadas 12 lojas franqueadas da Rede de Supermercados DIA na região metropolitana de São Paulo e na capital paulista. A Polícia Ambiental do Estado encontrou alimentos vencidos e em condição inadequada de armazenamento em depósito de fornecedor das unidades.

O espaço não tinha licença de funcionamento, porém era utilizado como panificadora para a produção de pães, bolos, doces e tortas e distribuía para outros supermercados da rede.

Além disso, a área também servia como depósito de produtos com o prazo de validade vencido. Estes produtos eram retirados das embalagens originais e colocados em sacos plásticos para serem reutilizadas na confecção dos produtos da panificadora.

No local foram encontrados farinha e açúcar em sacos plásticos sem identificação e pães franceses vencidos armazenados de forma inadequada – no chão ou em caixas de papelão. Nas câmaras frias, produtos dentro do prazo de validade misturados com restos de alimentos estragados, como frios, laticínios e carnes em processo de deterioração. Em uma embalagem de carne, a etiqueta indicava como data de validade 21 de janeiro de 2013.

A mortadela estava vencida havia um mês. Já a ricota estava há um mês e meio fora do prazo recomendado para consumo. Havia lixo estocado próximo às câmaras frias, fezes de ratos nas prateleiras do estoque e veneno próximo aos alimentos. O ambiente também estava em condições precárias de higiene.

A Vigilância Sanitária condenou todos os produtos e determinou o seu descarte. O artigo 7º da Lei 8.137 caracteriza crime a comercialização e depósito de matérias-primas ou mercadorias em condições impróprias para consumo. Em caso de condenação, a pena varia de dois a cinco anos, ou multa.

Diante do ocorrido, podemos destacar diversas inadequações aos requisitos estabelecidos na Legislação Sanitária:

  • O funcionamento do local sem a permissão da autoridade sanitária (Alvará de Funcionamento);
  • Precárias condições de higiene do ambiente;
  • Armazenamento de alimentos sem os devidos cuidados higiênico-sanitários (no chão; caixa de papelão etc.);
  • O estoque e uso indevido de produtos fora do prazo de validade e/ou sem identificação;
  • A ausência de medidas de controle de vetores e pragas urbanas e uso indevido de produtos químicos (veneno);
  • Contaminação cruzada pelo armazenamento de matérias-primas vencidas junto às demais e pelo uso indevido de veneno de rato;
  • O manejo de resíduos (lixo) de forma indevida;
  • Manipulação de alimentos sem os devidos cuidados de higiene.

A adoção das Boas Práticas de Fabricação (BPF) é mais do que uma exigência legal. É uma questão de saúde pública! Diversos consumidores foram colocados em risco ao adquirirem os alimentos produzidos neste local.

A Rede de Supermercados DIA abalou sua imagem e confiabilidade diante dos consumidores.

Em resumo, essa tragédia pode ocorrer em qualquer estabelecimento que não utiliza as boas práticas na fabricação e comercialização de seus alimentos.

Além da garantia de qualidade e produção de alimento seguro, as BPFs proporcionam benefícios como: redução de custos, aumento da produtividade, satisfação e fidelização dos clientes e maior competitividade no mercado!

O que é o HACCP (Hazard Analysis and Control Point System)?

O HACCP nos últimos anos tornou-se um assunto constante entre as indústrias de alimentos. Por quê? Quais os benefícios que esta metodologia nos traz?

A exigência de empresas nacionais e internacionais de um produto seguro do ponto de vista alimentar faz com que a procura das empresas pela metodologia torne-se algo importante, diferencial e competitivo.

Para os que têm a curiosidade e necessidade de conhecer a metodologia, digo que a metodologia HACCP é a mais completa para garantir a segurança dos alimentos.

Um dos pré-requisitos do HACCP é o GMP (Good Manufacturing and Pratice), o ponto inicial para se implementar o HACCP. Não adianta querer implementar HACCP se sua empresa não possui os requisitos básicos como boas práticas de fabricação, boas práticas de higiene e boas práticas de armazenagem. Por isso,  o GMP deve ser consistente, bem implementado.

Voltando a metodologia HACCP em si, ela consiste em 7 etapas:

  • Conduzir uma análise dos perigos;
  • Determinar os pontos críticos de controle;
  • Estabelecer limites críticos;
  • Estabelecer um sistema para monitorar o controle dos pontos críticos;
  • Estabelecer ações corretivas;
  • Estabelecer procedimentos de verificação e funcionamento eficaz;
  • Estabelecer documentação.

Todas as etapas acima irão impactar sua empresa de modo a mudar a abordagem do produto final para um pensar preventivo, promover aspectos da cadeia produtiva desde a matéria-prima até o consumo do produto final e aumentar a confiança do cliente e oportunidades comerciais.

Você se atenta à qualidade do alimento que consome?

Por várias vezes nesse espaço tivemos discussões e textos voltados para a qualidade das empresas, da construção civil e referente à saúde dos funcionários, entre outros. Neste momento, porém, gostaria de voltar a nossa reflexão para os alimentos consumidos.

Será que damos a devida atenção à qualidade dos alimentos que consumimos? Quantas vezes verificamos se uma empresa, seja uma indústria alimentícia ou um serviço de alimentação, possui toda a documentação e está de acordo com requisitos mínimos de segurança alimentar?

A ANVISA, órgão regulador que estabelece os requisitos para funcionamento desse tipo de estabelecimento, possui um documento normativo (RDC 216 ou RDC 275) que estabelece que essas empresas precisam possuir um ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO que indica o atendimento aos requisitos mínimos de segurança e higiene no preparo e fornecimento de alimentos. Esses requisitos estão indicados no MANUAL DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO (BPF) que deve ser implementado por todas as empresas desse setor.

A partir da implementação desses requisitos e após a vistoria da ANVISA, a empresa receberá o alvará de funcionamento, que DEVERÁ ficar fixado em local visível na empresa.

Então nós, enquanto consumidores, temos o dever de fiscalizar essas empresas e procurar por esse documento para garantir que estamos nos alimentando em locais que possuem boas práticas sanitárias e de segurança com seus funcionários.

E as empresas que ainda não possuem esse requisito implementado, devem procurar se adequar o mais rápido possível, uma vez que com os grandes eventos que acontecerão no Brasil nos próximos anos, o foco para esse assunto está cada vez maior.

Podemos ver casos de várias empresas que passaram por problemas recentes com autuações e até com o lacramento dos estabelecimentos por não estarem de acordo com essa regulamentação (veja alguns exemplos no final deste post). Para fechar ainda mais o cerco, a ANVISA abriu recentemente 100 novas vagas para agentes de saúde que atuarão nesse cenário.

Então, o que estamos esperando? Vamos em busca da qualidade em todos os aspectos da nossa vida!

Correio Popular – Prefeitura realiza vistorias em bufês infantis de Campinas.

Nova série do Jornal da Record – Blitz da Comida

Fiscais encontram irregularidades absurdas em restaurantes

Restaurantes funcionam sem alvará em cidade de Minas Gerais

Carne vendida em SP é armazenada em péssimas condições