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Absenteísmo é a falta por doença — indicador reativo, mede o que já se consumou. Presenteísmo é comparecer e não produzir — indicador proativo, sinaliza o adoecimento antes do atestado. A média mundial apontada pela OMS é de 12% a 14%, e uma pesquisa em um grande banco brasileiro encontrou nove pessoas em presenteísmo para cada atestado. Mede-se por questionário, com resultado organizacional e nunca individual. Em operação, presenteísmo também é fator contribuinte de acidente.

Olívia, especialista Templum
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Neste artigo 8 seções
  1. A diferença entre os dois
  2. Os números que dão a escala
  3. Por que o presenteísmo é risco, e não só perda de produtividade
  4. Como medir presenteísmo
  5. Os sinais que aparecem sem questionário
  6. Como usar os dois indicadores juntos
  7. Um alerta sobre o que não fazer com esse dado
  8. Perguntas frequentes

Toda empresa mede absenteísmo. Quase nenhuma mede presenteísmo. E é o segundo que diz o que vai acontecer — o primeiro só conta o que já aconteceu.

A diferença entre os dois

Absenteísmo é a falta ao trabalho por motivo de doença. É o atestado entregue, o afastamento registrado. Fácil de medir, porque existe documento.

Presenteísmo é quando a pessoa comparece e não produz. Está na mesa, olha a tela e não entrega — porque está com dor de cabeça, porque a filha está doente, porque está ansiosa, porque não dorme há semanas. Não há documento nenhum.

Em linguagem de indicador, a distinção é esta: absenteísmo é reativo — mede o que já se consumou. Presenteísmo é proativo — sinaliza o adoecimento que ainda não virou atestado. É a coisa mais próxima de uma bola de cristal que a gestão de saúde ocupacional tem.

Os números que dão a escala

Três referências ajudam a dimensionar.

A média mundial de presenteísmo é de 12% a 14%, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde. Traduzindo: de cada 100 pessoas na sua empresa, aproximadamente 12 a 14 estão comparecendo e não produzindo. Não faltam, não aparecem em nenhum relatório, e estão ali de corpo presente.

Para cada atestado, nove pessoas em presenteísmo. Uma pesquisa conduzida por um médico do trabalho em um dos maiores bancos brasileiros encontrou essa proporção. Se você tem dez atestados por mês, a estimativa é de noventa pessoas em presenteísmo — e você está gerenciando só os dez.

É possível chegar a 5%. Numa multinacional que estruturou a gestão de fatores psicossociais, o presenteísmo ficou em 5% e o absenteísmo caiu de 4% para 0,8%. Ver ROI de saúde no trabalho.

Por que o presenteísmo é risco, e não só perda de produtividade

Em função administrativa, o efeito é erro: cálculo errado numa planilha, número incorreto num relatório, decisão tomada com dado equivocado.

Em operação, o efeito é outro. Quem opera empilhadeira sem estar focado no que faz pode causar acidente — e não só a si. Quem trabalha em altura, com energia ou com máquina precisa de atenção plena, e presenteísmo é exatamente a ausência dela.

Essa é a segunda via pela qual o risco psicossocial deve entrar na avaliação de severidade do PGR: não apenas como transtorno mental, mas como fator contribuinte de acidente. É um ponto que a maioria dos inventários esquece. Ver como incluir os riscos psicossociais no PGR.

Como medir presenteísmo

Não se mede olhando. Ninguém consegue distinguir, pela aparência, quem está produzindo de quem está de corpo presente — o adoecimento mental é invisível, e a pessoa em presenteísmo com frequência ainda não sabe que está adoecendo.

Mede-se por questionário, e a pergunta típica é do tipo: "nas duas últimas semanas, quanto tempo você foi ao trabalho e não conseguiu se concentrar no que estava fazendo por mais de 15 minutos?". Existem instrumentos com essa finalidade, e o resultado é sempre organizacional, não individual: o que interessa é o percentual da população, não apontar pessoas.

Vale aplicar junto com a avaliação de risco psicossocial, aproveitando a mesma logística e o mesmo anonimato. Ver como medir riscos psicossociais.

Os sinais que aparecem sem questionário

Enquanto você não tem o questionário rodando, alguns registros que a empresa já produz funcionam como indício:

  • Procura por analgésico no ambulatório. Se um setor concentra pedidos de remédio para dor de cabeça, aquele setor está dizendo algo. Dor de cabeça e dor muscular são os sintomas que mais precedem diagnóstico — tensão muscular causada por estresse produz dor real, e o exame ortopédico volta normal justamente porque o problema não está na coluna.
  • Consultas repetidas sem achado clínico. A pessoa vai ao ortopedista pela dor nas costas, faz exame, nada aparece. É um padrão, não uma coincidência.
  • Rotatividade concentrada. Turnover alto em um setor, com o resto estável.
  • Uso do plano de saúde por especialidade e por área.
  • Queda de produtividade sem causa operacional identificável.

Como usar os dois indicadores juntos

O desenho que funciona é simples:

Absenteísmo segmentado por setor e por CID, para saber onde o dano já se consumou e para acompanhar o efeito das ações. É também o número que alimenta a discussão de FAP — ver FAP e riscos psicossociais.

Presenteísmo por grupo de exposição, para saber onde intervir antes. É aqui que está a economia: agir sobre quem está em presenteísmo evita o afastamento, e evitar o afastamento é infinitamente mais barato que gerenciá-lo — em custo direto, em FAP e em passivo.

Os dois cruzados com o resultado da avaliação psicossocial. Se o setor com pior índice de controle no instrumento validado é também o de maior presenteísmo e maior rotatividade, você não tem três problemas: tem um, com três sintomas. E sabe exatamente onde alocar a primeira ação do plano. Ver plano de ação para riscos psicossociais.

Um alerta sobre o que não fazer com esse dado

Presenteísmo é indicador de organização, nunca de pessoa. Usar o conceito para pressionar quem parece pouco produtivo inverte o sentido do indicador e piora o risco que ele mede — além de destruir a confiança que garante a qualidade da próxima medição.

A pergunta correta diante de um presenteísmo alto num setor não é "quem está fingindo trabalhar". É "o que neste trabalho está adoecendo as pessoas". Ver o que são riscos psicossociais no trabalho e o guia completo em NR-1 e riscos psicossociais.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre absenteísmo e presenteísmo?

Absenteísmo é a falta ao trabalho por doença, com atestado — indicador reativo, mede o que já aconteceu. Presenteísmo é comparecer e não produzir, sem nenhum documento — indicador proativo, sinaliza o adoecimento que ainda não virou afastamento.

Como se mede presenteísmo?

Por questionário, com perguntas do tipo quanto tempo nas últimas duas semanas a pessoa foi ao trabalho e não conseguiu se concentrar por mais de 15 minutos. Não se mede pela aparência: o adoecimento mental é invisível e quem está em presenteísmo muitas vezes ainda não sabe. O resultado é sempre organizacional, não individual.

Quanto presenteísmo é considerado normal?

Estudos da OMS apontam média mundial de 12% a 14% — de cada 100 pessoas, 12 a 14 comparecem e não produzem. Operações que gerenciam bem os fatores psicossociais chegam a 5%, com absenteísmo abaixo de 1%.

Presenteísmo pode causar acidente?

Sim, e é uma via frequentemente esquecida na avaliação de severidade. Quem opera empilhadeira, trabalha em altura ou com energia sem estar focado põe em risco a si e a terceiros. Por isso o risco psicossocial deve entrar no PGR também como fator contribuinte de acidente, não só como transtorno mental.

Posso usar o indicador de presenteísmo para cobrar quem produz menos?

Não. É indicador de organização, nunca de pessoa. Usá-lo para pressionar indivíduos inverte o sentido do dado, agrava o risco que ele mede e destrói a confiança que garante a qualidade da próxima medição. A pergunta correta é o que neste trabalho está adoecendo as pessoas.

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