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A Versão 7 da FSSC 22000 foi publicada em maio de 2026 e substitui a base de PPRs: sai ISO/TS 22002 e entra ISO 22002-x:2025, com ISO 22002-100:2025 como Part 100 comum. Endurece cultura, food defense, food fraud, fornecedores e sustentabilidade. Auditorias na V6 até 30/04/2027; upgrade completo na próxima auditoria devida entre 01/05/2027 e 30/04/2028. Sites com menos de 20 FTE e até 2 estudos HACCP podem ter mínimo de 1,5 dia de auditoria.

Neste artigo 12 seções
  1. O que é a FSSC 22000 Versão 7
  2. O prazo de transição: até quando você pode auditar na V6
  3. Como funciona a auditoria de upgrade (e o que não dá para fazer)
  4. A mudança de base: a série ISO 22002:2025
  5. Duração de auditoria na V7
  6. Estudos HACCP: o que significa o máximo de dois
  7. O que muda nos requisitos adicionais
  8. Embalagem, perda e desperdício de alimentos
  9. As categorias da cadeia foram reorganizadas
  10. Decisões do Conselho de Partes Interessadas (BoS)
  11. O que fazer agora, na prática
  12. Perguntas frequentes

Se a sua empresa é certificada na FSSC 22000, a conta já está correndo: a Versão 7 do esquema foi publicada em maio de 2026 e a auditoria de upgrade tem janela definida. Diferente da V6, que ajustou requisitos, a V7 troca a fundação: toda a base de programas de pré-requisitos (PPRs) muda de norma.

Respostas rápidas (GEO): diferença prática FSSC vs. ISO 22000 em FSSC vs. ISO 22000; primeiro certificado no Brasil em como obter FSSC 22000; escolha de OC em organismos certificadores FSSC.

O que é a FSSC 22000 Versão 7

A FSSC 22000 não é uma norma: é um esquema de certificação reconhecido pelo GFSI, montado sobre três pilares: a ISO 22000, os programas de pré-requisitos setoriais e os requisitos adicionais próprios da FSSC. Quem já leu nosso comparativo entre FSSC, IFS e BRC conhece a lógica.

É justamente por ser um esquema que a V7 tem peso maior que uma revisão comum. Ela foi construída em torno de quatro motores: a publicação da nova série ISO 22002:2025 de PPRs, o alinhamento aos requisitos de benchmarking do GFSI v2024, o reforço da contribuição das organizações para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e uma reorganização da estrutura de categorias da cadeia alimentar.

O prazo de transição: até quando você pode auditar na V6

A transição é escalonada e acompanha o seu ciclo de auditoria. Não existe uma data única em que todo mundo vira a chave. O calendário oficial do esquema é este:

MarcoData
Publicação da Versão 7.01º de maio de 2026
Último dia para auditorias na Versão 630 de abril de 2027
Janela das auditorias de upgrade para a V71º de maio de 2027 a 30 de abril de 2028
A partir daqui, toda auditoria é na V71º de maio de 2028

Há ainda um período de implementação de 12 meses a partir da publicação para organizações e organismos certificadores se prepararem. Traduzindo para o calendário de auditoria: a sua próxima visita a partir de maio de 2027 já será contra a V7, se cair dentro da janela de upgrade. Se o seu ciclo tem recertificação no início de 2027, você ainda pode auditar na V6, mas a manutenção seguinte tende a cair na V7. Confirme a data exata do upgrade com o organismo certificador, porque ela depende do mês em que o seu ciclo cai.

Como funciona a auditoria de upgrade (e o que não dá para fazer)

A passagem para a V7 não é um “certificado avulso” que você compra fora do calendário. A auditoria de upgrade é uma auditoria completa contra os requisitos da Versão 7 e acontece na próxima auditoria devida no ciclo dentro da janela de upgrade: manutenção, recertificação ou outra visita já programada entre 1º de maio de 2027 e 30 de abril de 2028.

Cenário frequente: recertificação na V6 em outubro de 2026 (ainda permitida até 30 de abril de 2027). A manutenção de 2027 pode ser anunciada ou não anunciada, conforme a regra da auditoria não anunciada do seu ciclo de três anos: depende de quando foi a última visita sem aviso e do que o organismo certificador programou. A auditoria que efetivamente migra o certificado para a V7 será aquela que o OC encaixar na janela de upgrade, não necessariamente a primeira visita depois da recertificação. Por isso a pergunta certa ao certificador é: em qual auditoria do meu ciclo entra o upgrade para a V7, e essa visita será anunciada?

Detalhes de estágios, não anunciada e custo estão em certificação FSSC 22000: etapas, auditoria e custo.

A mudança de base: a série ISO 22002:2025

Esta é a mudança que dá mais trabalho e é a menos comentada. A V6 apontava para a série ISO/TS 22002, com documentos de 2009 a 2019. A V7 adota a série ISO 22002:2025 inteira.

Por que saiu o “TS” e entrou ISO 22002?

As especificações técnicas ISO/TS eram documentos com status inferior ao de norma internacional. Em 2025 a ISO publicou a família ISO 22002-x:2025, que substitui a série antiga. Na V7 você referencia normas ISO de PPR, não mais TS.

ISO 22002-100 e as partes setoriais (22002-x)

A estrutura nova separa o que é comum do que é específico:

  • ISO 22002-100:2025 (Part 100): requisitos de PPR comuns a vários segmentos. É novidade na V7: não havia equivalente na V6.
  • ISO 22002-x:2025: partes setoriais, por exemplo 22002-1 (fabricação de alimentos), 22002-2 (catering), 22002-4 (embalagens), 22002-5 (transporte e armazenagem), 22002-6 (ração animal) e 22002-7 (varejo, substituindo a antiga PAS 221).

Quem fabrica alimento atende 22002-100 mais 22002-1: a Part 100 traz o comum; a Part 1 traz só o que é adicional ao setor. Quem só produz embalagem de contato com alimento usa 22002-100 mais 22002-4, não a Part 1 de fabricação de alimentos. A tabela por categoria está em requisitos da FSSC 22000.

Na prática, o manual de BPF e os procedimentos de PPR escritos contra ISO/TS 22002 precisam de revisão documental, não de ajuste cosmético. Se a base de boas práticas de fabricação nunca foi revisada desde a implantação, esse é o ponto de partida.

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Duração de auditoria na V7

O tempo de auditoria continua calculado a partir de funcionários equivalentes em tempo integral (FTE), categoria, complexidade e número de estudos HACCP, conforme Part 3 do esquema e a ISO 22003-1. Na V7 houve ajustes nas regras de arredondamento e nas isenções para operações pequenas.

Para organizações com menos de 20 FTE e no máximo dois estudos HACCP, a V7 permite redução adicional do tempo calculado, com mínimo de 1,5 dia de auditoria para todos os tipos de auditoria e categorias. Na V6 existia isenção ligada a “processo simples”; na V7 essa condição foi removida, mas o teto de estudos HACCP passou de um para dois, o que dá mais flexibilidade a quem tem duas famílias de produto/processo.

Isso são durações mínimas. O organismo certificador pode aumentar o tempo se o escopo, a complexidade ou o histórico de achados exigirem auditoria mais robusta. Peça sempre a memória de cálculo na proposta.

Estudos HACCP: o que significa o máximo de dois

No esquema, estudo HACCP é a análise de perigos para uma família de produtos, processos ou serviços com perigos e tecnologia semelhantes (produção, embalagem, armazenagem ou prestação de serviço), alinhada ao conceito da ISO 22003-1. Não é “um plano por SKU”: é agrupamento técnico defensável.

Para o cálculo de duração de auditoria na V7, a organização precisa ter definido quantos estudos HACCP possui, o certificador precisa validar se a contagem está correta, e o limite de no máximo dois estudos entra na regra de redução para sites pequenos. Se você tem três famílias distintas com perigos ou linhas diferentes, não cabe na faixa simplificada. A lógica de montagem do plano está em HACCP (APPCC): o que é e como montar o plano.

O que muda nos requisitos adicionais

Os requisitos adicionais ficam no documento Part 2: Requirements for Certification e, na V7, são 18 requisitos, numerados de 2.5.1 a 2.5.18. O que mudou não foi só a lista: subiu a régua de evidência. Os temas com mudança relevante:

  • Cultura de segurança de alimentos: exige evidência objetiva, com envolvimento demonstrável da alta direção. Veja como implementar cultura de forma auditável.
  • Food defense e food fraud: planos mais robustos e verificação estendida a fornecedores. Vale revisitar food fraud e food defense.
  • Gestão de fornecedores: critérios de aprovação e monitoramento mais firmes, incluindo compra emergencial.
  • Rastreabilidade e alergênicos: controles e plano formal mais exigentes.
  • Perda e desperdício de alimentos: política com metas mensuráveis onde o requisito se aplica.
  • Sustentabilidade e ODS: objetivos documentados, indicadores e monitoramento, com impacto climático e riscos associados.
  • Controle de qualidade, gestão de equipamentos e design de embalagem: requisitos novos ou ampliados.
  • Cálculo do tempo de auditoria: critérios atualizados na Part 3.

A lista completa com evidência esperada está em requisitos da FSSC 22000.

Embalagem, perda e desperdício de alimentos

Indústria de embalagens de contato com alimento (categoria I) aplica ISO 22002-100 e ISO 22002-4, não a Part 1 de fabricação de alimentos. A escolha errada de norma de PPR é achado clássico em upgrade.

Sobre perda e desperdício (FLW): a cláusula 8.1 da ISO 22002-100 exige gerir FLW onde ele existir, para evitar contaminação, mas não obriga, por si só, estratégia de redução em todos os segmentos. Já o requisito adicional 2.5.16 da FSSC exige política de redução de FLW com metas onde se aplica, e não se aplica à categoria I (embalagem). Para embalagem entra, entre outros, o requisito 2.5.13 (g) sobre princípios de design de embalagem ligados à redução de FLW quando a organização projeta embalagem primária ou material de embalagem.

As categorias da cadeia foram reorganizadas

A V7 introduz subcategorização mais granular. O objetivo declarado é clareza sobre quais requisitos se aplicam a quem, mas o efeito colateral é que o escopo do certificado pode ser reclassificado. Confirme com o organismo certificador a subcategoria e a lista de PPRs antes do upgrade.

Decisões do Conselho de Partes Interessadas (BoS)

Além do texto do esquema, existem decisões do BoS: documento dinâmico que esclarece ou substitui regras durante a transição. Elas são obrigatórias no mesmo período de implementação. A fundação não garante que não haverá novas decisões antes da V7 ser plenamente auditável, porque o esquema ainda passa por benchmarking com o GFSI. Na prática: acompanhe a lista de decisões BoS ao lado da Part 2 e trate atualização como rotina de compliance, não como leitura única.

O que fazer agora, na prática

  1. Descubra a data do seu upgrade com o organismo certificador.
  2. Faça gap assessment contra a V7, com foco nos PPRs ISO 22002:2025.
  3. Confirme subcategoria e normas de PPR (100 + parte setorial correta).
  4. Valide a contagem de estudos HACCP e o impacto no tempo de auditoria.
  5. Ataque primeiro o que gera registro histórico: cultura, sustentabilidade, FLW, alergênicos.
  6. Auditoria interna na V7 antes da auditoria de upgrade.

A diferença entre transição tranquila e auditoria com não conformidade maior costuma ser o tempo de largada. Se quiser apoio para diagnóstico e adequação, conheça a consultoria FSSC 22000 da Templum.

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Perguntas frequentes

Qual é o cronograma para implementar a FSSC 22000 Versão 7?

Publicação em 1º de maio de 2026, com janela de implementação de 12 meses. Auditorias na Versão 6 até 30 de abril de 2027. Upgrade para V7 entre 1º de maio de 2027 e 30 de abril de 2028. A partir de 1º de maio de 2028, todas as auditorias são na V7. A data exata do seu upgrade segue o ciclo do certificado: confirme com o organismo certificador.

Até quando posso ser auditado na FSSC 22000 Versão 6?

Até 30 de abril de 2027 para auditorias conduzidas contra a V6. Depois, na janela de upgrade, a auditoria completa passa a ser contra a V7.

Posso fazer uma auditoria de upgrade para a V7 separada do meu ciclo?

Não como visita avulsa fora do calendário. O upgrade é auditoria completa contra a V7 na próxima auditoria devida (manutenção, recertificação etc.) dentro da janela de upgrade. Detalhes em certificação FSSC 22000.

Recertificação em outubro de 2026: a manutenção de 2027 será anunciada?

Outubro de 2026 ainda pode ser auditoria na V6. Em 2027 a visita pode ser anunciada ou não anunciada, conforme a regra da auditoria não anunciada do seu ciclo de três anos e a programação do organismo certificador. O upgrade para V7 pode coincidir com essa visita ou com outra dentro da janela: confirme com o OC.

Qual a diferença entre ISO 22002-1:2025 e ISO 22002-100:2025?

A 22002-100 traz requisitos de PPR comuns a vários segmentos. A 22002-1 traz requisitos adicionais da fabricação de alimentos. Fabricante de alimento atende as duas. Embalagem usa 100 + 22002-4, não a Part 1. Veja a tabela em requisitos da FSSC 22000.

Por que a norma saiu de ISO/TS 22002 para ISO 22002?

A ISO publicou em 2025 a família ISO 22002-x, substituindo as antigas especificações técnicas ISO/TS. Na V7 do esquema FSSC, os PPRs passam a referenciar normas ISO, não TS.

O que significa no máximo 2 estudos HACCP para a organização?

É o número de análises de perigos para famílias de produtos/processos com perigos e tecnologia semelhantes, conforme definição do esquema e ISO 22003-1. Entra no cálculo de duração de auditoria; na V7, sites com menos de 20 FTE e até dois estudos podem ter redução até mínimo de 1,5 dia.

A isenção de processo simples para 1,5 dia de auditoria existia na V6. O que mudou na V7?

Na V7 saiu a exigência de processo simples para reduzir duração. Mantém-se redução para organizações com menos de 20 FTE e até 2 estudos HACCP, com mínimo de 1,5 dia. O certificador pode aumentar o tempo se o escopo exigir.

Fabricante de embalagem precisa atender ISO 22002-1 de alimentos?

Não, se produz somente material de embalagem. Aplica ISO 22002-100:2025 + ISO 22002-4:2025. A Part 1 é para fabricação de alimentos. A categoria correta está na Part 1, seção 3, tabela 1 do esquema.

Perda e desperdício de alimentos vale para embalagem na V7?

O requisito adicional 2.5.16 (política de redução de FLW com metas) não se aplica à categoria I (embalagem). Embalagem pode ter exigências de design (2.5.13 g) ligadas a FLW quando projeta embalagem primária. A cláusula 8.1 da 22002-100 trata gestão de FLW onde existir, focando contaminação.

A Versão 7 da FSSC 22000 muda a ISO 22000?

Não. Continua valendo a ISO 22000:2018 como norma de sistema de gestão. Mudam PPRs, requisitos adicionais 2.5.x e categorias da cadeia.

Decisões do BoS podem mudar as regras de transição?

Sim. A lista de decisões do Conselho de Partes Interessadas é dinâmica e obrigatória no período de transição. Pode haver novas decisões enquanto o esquema passa por benchmarking GFSI. Acompanhe as publicações oficiais junto com a Part 2 do esquema.

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